As propostas dos candidatos à Presidência da República para o período a partir de 2027 apresentam respostas diferentes às prioridades dos produtores rurais. Os programas tratam de renda, crédito, seguro, infraestrutura e tecnologia, mas variam entre o uso de políticas públicas, a atuação dos bancos oficiais e a participação privada.
Nas enquetes feitas no WhatsApp e no Instagram, 49,7% dos participantes escolheram a garantia de renda e lucro real como principal demanda. Outros 30,9% priorizaram mais crédito, juros baixos e seguro garantido. Somadas, essas opções alcançaram 80,6% das respostas. Infraestrutura e redução da burocracia tiveram 17,7%, enquanto o financiamento de máquinas novas e tecnologia ficou com 1,7%.
Diferentes caminhos para elevar a renda
Augusto Cury (Avante) associa a rentabilidade à industrialização. No plano Brasil dos Nossos Sonhos, ele propõe incentivar 10 mil unidades de processamento e instalar 100 usinas de etanol de milho, com capacidade anual de até 100 milhões de toneladas. A proposta também prevê a criação de polos integrados no interior do país, com transformação de grãos em produtos de maior valor, como proteína animal.
O programa inclui investimentos em Agro 4.0, agricultura de precisão, robótica e inteligência artificial, além de melhorias na armazenagem. Crédito, juros e seguro rural, porém, não recebem o mesmo destaque.
Renan Santos (Missão) segue uma linha semelhante ao propor mais industrialização dentro da cadeia produtiva. A plataforma AgroBrasil 2030 prevê reorganizar o Plano Safra para beneficiar estabelecimentos que invistam em processamento. O candidato também defende a produção nacional de defensivos e fertilizantes, Zonas Econômicas Especiais e medidas ligadas à segurança jurídica, à reforma agrária, às invasões de propriedades e à regularização do ambiente de produção.
Crédito, seguro e políticas públicas
Flávio Bolsonaro (PL) concentra parte de suas propostas na proteção financeira. O plano Para o Brasil Vencer o Atraso prevê ampliar a cobertura do seguro rural e criar mecanismos para reorganizar as dívidas dos produtores. Também inclui medidas para aumentar a produção nacional de potássio e fosfato, simplificar a outorga de água para irrigação e acelerar a titulação e a regularização de imóveis rurais.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe fortalecer o Plano Safra por meio dos bancos públicos, com atenção à agricultura familiar e ao cooperativismo. O programa prevê ainda políticas de transição ecológica, recuperação de pastagens degradadas e agricultura de baixo carbono.
Para apoiar a renda, Lula defende o fortalecimento da Conab e a reconstrução de estoques públicos reguladores. Na área de insumos, o plano cita a ampliação da produção nacional de fertilizantes, inclusive pela Petrobras. Ferrovias e hidrovias aparecem entre os investimentos previstos no Novo PAC. O seguro rural não está entre os principais destaques do programa.
Participação privada no seguro e na logística
Romeu Zema (Novo) propõe estimular o mercado de seguro rural por meio de um fundo privado com recursos públicos e privados. O mecanismo seria usado para cobrir perdas provocadas por eventos climáticos e variações de mercado.
Na infraestrutura, o Plano Implacável prevê parcerias com a iniciativa privada para ampliar ferrovias, portos, rodovias e armazenagem. O programa também defende desregulamentação e facilidades para importar e produzir defensivos e fertilizantes.
Ronaldo Caiado (PSD) combina crédito e proteção da renda no plano para 2027 a 2030. Entre as medidas estão um Plano Safra plurianual, um Fundo de Catástrofe e a modernização do seguro rural. O candidato cita seguros paramétricos, baseados em índices climáticos e dados de satélite, além do seguro de renda.
Caiado também propõe corredores logísticos multimodais voltados ao agronegócio, incentivos fiscais para ampliar a armazenagem privada e acordos bilaterais para aumentar a inserção internacional do agronegócio brasileiro.
Prioridades presentes, soluções distintas
Infraestrutura aparece em diferentes programas, com propostas para ferrovias, hidrovias, armazenagem e parcerias privadas. Já o financiamento de máquinas e tecnologia, escolhido por 1,7% dos participantes, surge principalmente em iniciativas de inovação, modernização da produção e Agro 4.0.
Assim, os planos contemplam as principais demandas identificadas nas enquetes, mas com diferenças na forma de execução. Parte das candidaturas aposta no Plano Safra e nos bancos públicos; outra parte prioriza seguros privados, menor intervenção estatal ou a agregação de valor dentro da cadeia produtiva.









