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Ataque contra Nadia Beller coloca operações digitais da extrema direita sob escrutínio

Investigação na Bolívia envolve Fernando Cerimedo, estruturas de robôs e conexões políticas em campanhas da extrema direita latino-americana.

Ataque contra Nadia Beller coloca operações digitais da extrema direita sob escrutínio

Um atentado contra Nadia Beller, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, levou a polícia e a Justiça locais a investigar a atuação de Fernando Cerimedo, estrategista político argentino ligado a campanhas da extrema direita na América Latina. Nadia foi atingida três vezes por dois homens disfarçados de entregadores na entrada de um hotel e sobreviveu.

A Justiça boliviana determinou 180 dias de prisão preventiva para Cerimedo. As apurações indicam que ele teria planejado e coordenado o ataque, tratado como tentativa de feminicídio. A gravidez de Nadia aparece entre os possíveis motivos apontados pela Justiça. Ela é ex-companheira de Cerimedo e denunciou o envolvimento dele após o atentado.

A investigação sobre os robôs

No início das apurações, a polícia boliviana informou ter encontrado uma estrutura descrita como minifazenda de robôs, que poderia ser usada nas eleições presidenciais brasileiras contra o presidente Lula. A defesa de Cerimedo afirmou que os equipamentos eram telefones via satélite e modens, e não robôs.

Nadia apresentou outra versão. Segundo ela, Cerimedo mantinha duas estruturas na Bolívia e uma instalação maior em Buenos Aires, voltada a operações em toda a América Latina. A estrutura usaria inteligência artificial para sincronizar contas, publicar mensagens diferentes, segmentar públicos, inundar redes sociais e derrubar perfis por meio de denúncias em massa.

Em 2023, em entrevista ao jornal argentino La Nación, Cerimedo teria admitido o uso de contas automatizadas para influenciar algoritmos. A operação, conforme o relato atribuído a Nadia, teria sido empregada em Honduras, no Chile, no Brasil, na Bolívia e na Argentina. No caso brasileiro, a referência é à campanha de 2022.

Cerimedo afirmou que “o serviço dos ‘trolls’ não é usado para fazer política, e sim para interferir nos algoritmos”. A especialista em comunicação política Natália Aruguete avaliou que o caso revela um modelo no qual a comunicação eleitoral ultrapassa os canais oficiais dos candidatos e é replicada de um país para outro.

Conexões políticas e empresariais

Cerimedo assessorou campanhas de Javier Milei e Rodrigo Paz, na Bolívia, e teria utilizado inteligência artificial, fazendas de bots e microssegmentação para disseminar informações prejudiciais a adversários. A mesma estratégia é associada à campanha de Jair Bolsonaro em 2018.

O argentino é sócio de Brad Parscale, ligado ao campo digital de Donald Trump. A plataforma Campaign Nucleus, de Parscale, usa inteligência artificial para analisar eleitores. Em março de 2025, Cerimedo foi anunciado como representante da plataforma na América Latina. Em setembro de 2025, Parscale foi registrado como agente estrangeiro responsável por uma campanha digital de 1,5 milhão de dólares mensais para o governo de Israel.

Cerimedo também fundou o La derecha diario. Em outubro de 2025, o jornal adquiriu a UHN Plus Media, com o objetivo de formar um bloco midiático conservador na América Latina. No México, ele atuou com o empresário Ricardo Salinas Pliego. A presidenta Claudia Sheinbaum afirmou que os dois fariam parte de redes internacionais da direita voltadas a influenciar países.

Relações com o Brasil

Fernando Cerimedo e Eduardo Bolsonaro fizeram uma transmissão ao vivo em 4 de novembro de 2022, na qual defenderam a tese de que a eleição daquele ano, vencida por Lula, teria sido fraudada. A tentativa de golpe ocorreria em 8 de janeiro do ano seguinte, conforme a descrição apresentada no caso.

Em outra transmissão, realizada em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, os dois voltaram a atacar as urnas eletrônicas brasileiras. O episódio ocorreu 48 horas depois de uma reunião do candidato com embaixadores estrangeiros no Brasil.

Nadia também relatou encontros recentes com Eduardo Bolsonaro nos EUA e atribuiu a ele atuação em favor de interesses norte-americanos. Essa afirmação integra as declarações dela e não aparece, no material analisado, acompanhada de confirmação independente.

O caso é apresentado como parte de uma rede internacional que reúne consultorias, operadores digitais, centros de pensamento e forças políticas de extrema direita. A professora Camila Vidal e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina são citados como referências acadêmicas para o estudo da atuação de agências norte-americanas e da difusão do neoliberalismo na América Latina.

A análise também relaciona o crescimento da extrema direita a operações digitais conduzidas desde 2010 e menciona a articulação entre grupos políticos do Brasil, da Argentina, dos EUA e de outros países latino-americanos. As acusações sobre Cerimedo, sua estrutura digital e suas conexões políticas seguem vinculadas às investigações na Bolívia e aos relatos apresentados por Nadia Beller.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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