A área produtiva do Brasil coberta pelas linhas tradicionais de custeio do Plano Safra recuou quase 26% em 12 meses, de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões em julho deste ano. Os dados são do Banco Central e foram compilados pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).
No mesmo intervalo, o crédito rural sem títulos como as Cédulas de Produto Rural (CPRs) caiu 12%, para R$ 181,1 bilhões. O número de contratos diminuiu 10,3%, chegando a 777,8 mil.
A Farsul afirmou, em nota técnica, que a redução do financiamento preocupa para a safra 2026/27, que começará a ser plantada agora. A entidade apontou possíveis impactos sobre o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação de alimentos e a balança comercial.
Os indicadores ainda permanecem positivos porque há uma defasagem no calendário agrícola, segundo a federação. A avaliação é que o crédito mais escasso deve aparecer nos resultados da safra 2026/27 e também no PIB, no saldo comercial, no câmbio e nos preços dos alimentos.
Para a Farsul, uma eventual redução da área plantada ou da produtividade pode diminuir a oferta e reverter o alívio observado nos preços da comida. O efeito, segundo a entidade, tende a pesar proporcionalmente mais no orçamento das famílias de menor renda.
A maior seletividade dos bancos também foi associada à regra de provisionamento para possíveis perdas, prevista na resolução 4.966/2021 do Banco Central e em vigor desde janeiro de 2026. A norma determina que cada operação seja classificada em um de três estágios de risco, do reconhecimento inicial à deterioração mais grave.
A Farsul avaliou que a regra não é específica para o crédito rural, mas afeta com mais intensidade carteiras que já apresentam sinais de deterioração. Nesse cenário, bancos podem adotar mais cautela na concessão e na renovação de operações para produtores e regiões com histórico recente de atraso, prorrogação ou renegociação.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a retração da área financiada chegou a 29,3%. O valor liberado caiu 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de contratos recuou 16,4%, para 189,6 mil.
Nas lavouras gaúchas, as contratações para trigo, arroz e soja diminuíram 52%, 32,2% e 35,2%, respectivamente. As quedas ficaram acima das médias nacionais dessas culturas, segundo a Farsul.
Instrumentos privados do agronegócio estão em expansão, mas a entidade afirmou que eles não substituem integralmente o crédito bancário tradicional. Para médios e pequenos produtores, a alternativa continua restrita.
O estoque de CPRs somava R$ 576,4 bilhões em junho de 2026, alta de 12% em 12 meses. As emissões na safra 2025/26 totalizaram R$ 377,8 bilhões. Em dois anos, os saldos de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e de Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 9% e 81%, respectivamente.








