RECIFE — A Justiça Eleitoral determinou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar cartazes apócrifos que acusavam a governadora Raquel Lyra de ter matado o marido, o empresário Fernando Lucena, para vencer a eleição de 2022. Lucena sofreu um mal súbito no dia do 1º turno da eleição estadual.
O caso começou a partir de um pedido da coligação Pernambuco de Coração, ligada à candidatura de Raquel Lyra à reeleição. Depois, a Frente Popular de Pernambuco, do candidato João Campos, solicitou a ampliação da apuração. O pedido também foi aceito pela Justiça.
As imagens dos cartazes foram divulgadas pelo Bastidor.PE. Uma delas mostra a foto de Raquel Lyra acompanhada da frase “ela matou o marido para ganhar a eleição”. Outra publicação apresenta a expressão “matadoras de maridos” e uma montagem da governadora ao lado de Elize Matsunaga e Flordelis.
Os cartazes teriam sido vistos no Bairro do Recife. O processo, inicialmente distribuído à 8ª Zona Eleitoral do Recife, foi encaminhado ao Juízo das Garantias da Justiça Eleitoral de Pernambuco, responsável pela fase pré-processual.
Medidas determinadas pela Justiça
Na terça-feira (1º), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva determinou a preservação de provas físicas e digitais. A Polícia Federal deverá apreender eventuais cartazes restantes e realizar perícias gráficas e documentoscópicas para verificar o tipo de papel, a tinta, os equipamentos usados, o processo de impressão e possíveis impressões digitais.
A Secretaria de Defesa Social, a CTTU e a prefeitura do Recife foram notificadas para preservar imagens de câmeras instaladas no Bairro do Recife e nas proximidades. A empresa LTX Segurança Privada Ltda também deverá manter gravações e registros de leitura de placas de veículos.
Na sexta-feira (4), a Justiça acolheu um pedido da Frente Popular de Pernambuco, que questionou se o material chegou a existir fisicamente. O grupo afirmou que havia apenas uma imagem de cada cartaz e que não havia comprovação de que eles foram colocados em vias públicas.
A investigação deverá verificar se os cartazes foram produzidos e instalados em local público ou se as imagens resultaram de montagem, manipulação ou fabricação digital.
A Justiça também deu 48 horas para os administradores do Bastidor.PE entregarem à PF o arquivo original das fotos, sem compressão e com metadados, incluindo data, horário, coordenadas geográficas e equipamentos utilizados. O portal, o provedor de hospedagem e a Meta deverão preservar logs de acesso, endereços de IP, históricos de alteração e conteúdos excluídos ou modificados a partir de 2 de setembro de 2026.
A Frente Popular afirmou ainda que integrantes do portal teriam vínculos com a campanha de Raquel Lyra. Entre eles está Léo Malafaia, apontado como videomaker da governadora. Fillipe Vilar e Rodrigo Ambrósio continuam relacionados como colaboradores do site.
A defesa de Malafaia disse que ele não tem vínculo com o Bastidor.PE desde 2025 e classificou como “criminosa e absurda” a tentativa de ligá-lo aos fatos. A coligação de Raquel Lyra declarou confiar na Justiça e nas Polícias Civil e Federal para esclarecer o caso e identificar os responsáveis.







