Luiz Inácio Lula da Silva cobrou do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) uma resposta institucional para a crise envolvendo o Banco Master. O presidente afirmou que a condução das apurações deve preservar a confiança da sociedade e alcançar todas as pessoas relacionadas ao caso, sem considerar os cargos ocupados.
A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (3) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. Lula disse que o STF e a PGR precisam liderar um processo capaz de proteger a integridade das investigações. “Só agindo com firmeza e transparência” será possível, na avaliação do presidente, manter o respeito da população pelas instituições.
O presidente também criticou a divulgação parcial de informações sob sigilo. Para ele, a democracia não pode ficar subordinada a vazamentos seletivos. Lula classificou o caso Banco Master como “o maior roubo da história do Brasil” e mencionou as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com pessoas em posições de poder.
Informações sob análise
Um relatório da Polícia Federal (PF), cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, registra mensagens encontradas no celular de Vorcaro e destinadas ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo os investigadores, os diálogos indicam proximidade entre os dois e incluem consultas sobre operações policiais e compromissos.
A PF também identificou alterações digitais em minutas contratuais do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Banco Master. A PGR considerou nulo o procedimento relacionado ao documento. O argumento foi que investigações sobre ministros do STF precisam ser solicitadas pela PF ou pelo Ministério Público e autorizadas pelo plenário da Corte.
As informações também levaram ao escrutínio um encontro entre Vorcaro e André Mendonça, realizado em março de 2025. Moraes pediu a Edson Fachin, presidente do Supremo, que abrisse investigação contra Mendonça. No pedido, apontou possíveis indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a grupos políticos nos casos Master e INSS.
Fachin determinou que Moraes, Mendonça, Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, apresentem informações em até cinco dias úteis sobre os episódios. Nos últimos dias, Lula conversou separadamente com Fachin e com Gilmar Mendes sobre a crise no Supremo.
Além do caso Master, Lula afirmou que o episódio mostra a necessidade de reformas profundas nos sistemas político e judiciário. Também defendeu que ocupantes de cargos públicos priorizem o compromisso com o interesse público diante de interesses individuais.









