SÃO PAULO — A jornalista venezuelana Luz Mely Reyes afirmou que a repressão à imprensa continua na Venezuela, mesmo após a captura de Nicolás Maduro. Diretora e cofundadora do site Efecto Cocuyo, ela disse que ainda não vê condições para voltar a morar no país.
Reyes participou de uma mesa sobre o trabalho de diretores de redação em períodos de crise. O encontro reuniu jornalistas de diferentes países na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
Imprensa sob restrições
Criado por Reyes em parceria com Laura Weffer e Josefina Ruggiero, o Efecto Cocuyo é financiado principalmente por doações e chamadas públicas. O site foi bloqueado na Venezuela por sua cobertura crítica do governo de Maduro, e os moradores do país precisam usar conexões de VPN para acessar o conteúdo.
Reyes afirmou que dezenas de veículos perderam suas licenças nos últimos anos e que pelo menos 470 jornalistas venezuelanos vivem no exílio. Sob a Presidência de Delcy Rodríguez, segundo ela, jornalistas não conseguem fazer perguntas diretas a ministros e funcionários porque não obtêm respostas.
A jornalista contou que voltou recentemente à Venezuela para observar a situação no local. Durante a viagem, que durou 21 dias, viu áreas afetadas por um terremoto que deixou mais de 6.000 mortos. Em uma região costeira próxima a Caracas, 180 edifícios de habitação social foram destruídos, deixando milhares de pessoas desalojadas.
Reyes também relatou o esvaziamento da faixa de idade intermediária da população, com crianças sem os pais e avós sem os filhos. Para ela, a esperança de uma transição democrática diminuiu ao longo dos meses.
Na avaliação da jornalista, o país é governado por Delcy Rodríguez e seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz, seria o único defensor remanescente da revolução bolivariana.
Reyes disse ainda que a presença dos Estados Unidos deve se tornar mais física nos próximos anos e manifestou preocupação com uma possível ocupação territorial da Venezuela.








