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El Faro relata exílio e pressão do governo de Bukele sobre o jornalismo

Carlos Dada afirmou que o jornal digital salvadorenho enfrenta queda de receitas, aumento de custos e riscos para repórteres e fontes.

El Faro relata exílio e pressão do governo de Bukele sobre o jornalismo

O jornal digital salvadorenho El Faro enfrenta exílio de sua equipe, queda nas receitas comerciais e aumento dos custos jurídicos e administrativos sob o governo de Nayib Bukele, segundo Carlos Dada, cofundador e diretor da publicação. Ele participou de uma entrevista no domingo (6), na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

Dada fundou o El Faro em 1998, ao lado do jornalista Jorge Simán. A publicação foi o primeiro jornal digital nativo da região e se tornou referência em jornalismo investigativo na América Latina, com coberturas em áreas de conflito no Iraque, em Honduras e no México. O jornalista também participou da primeira edição do festival, em 2014.

Na entrevista, Dada afirmou que fazer jornalismo ficou mais difícil desde sua participação anterior no evento, há doze anos. Sob a presidência de Bukele, no cargo desde 2019, El Salvador caiu da posição 38ª para a 143ª entre 180 países na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, elaborada pela organização Repórteres sem Fronteiras.

Pressão política e financeira

Dada disse que Bukele elogiava o El Faro antes de ser eleito, mas mudou de posição depois de assumir o poder. “Somos inimigos”, resumiu o jornalista.

A política de detenções em massa de integrantes das maras, defendida pelo governo, levou todos os integrantes da redação do El Faro ao exílio, segundo Dada. A equipe passou a operar da Costa Rica. Com o conflito com o governo, os anunciantes praticamente desapareceram, enquanto cresceram os gastos com defesa jurídica e administração.

O jornalista afirmou que as receitas diminuíram no momento em que os custos aumentaram. A publicação também enfrenta dificuldades para proteger suas fontes. Repórteres passaram a recorrer a métodos antigos de comunicação diante da intimidação e do monitoramento do governo. No primeiro ano da administração de Bukele, funcionários públicos teriam sido submetidos a testes com polígrafo para identificar quem colaborava com a imprensa.

Dada destacou que as fontes correm mais riscos que os jornalistas e que a proteção delas é uma obrigação da redação.

Investigações e vigilância

Em 2020, documentos e depoimentos de integrantes da MS-13, também conhecida como Mara Salvatrucha, foram usados pelo El Faro para apontar negociações e troca de benefícios entre o governo e líderes de gangues. Cinco anos depois, novas revelações indicaram proximidade entre integrantes do núcleo de Bukele e grupos criminosos do país.

O trabalho do jornal também foi acompanhado por ataques digitais. Dada e outros jornalistas foram espionados pelo software Pegasus, de origem israelense. Ele processou a fabricante em um tribunal da Califórnia, e o caso continua em andamento. Repórteres do El Faro também relataram vigilância por drones, incluindo um episódio em que um aparelho entrou pela janela do escritório de Dada.

Apesar dos riscos, o jornalista afirmou que a equipe não pretende ser intimidada. O El Faro tenta manter a conexão com a população de El Salvador, mesmo operando no exílio. Dada também relatou que, para obter um empréstimo do FMI, o governo precisou tornar públicas as contas do país. A divulgação revelou uma situação descrita por ele como grave e que poderia ser usada para justificar medidas de austeridade, com impacto principalmente sobre as aposentadorias dos salvadorenhos.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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