Osasco, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Osasco 20°C 16° / 25° Mega-Sena 3060: 6 · 15 · 23 · 36 · 37 · 38
A economia que move o interior
Brasil

Jornalista indiana relata cerco à imprensa durante governo Modi

Manisha Pande afirma que veículos indianos sofrem controle da narrativa e que o jornalismo independente depende de assinaturas.

Jornalista indiana relata cerco à imprensa durante governo Modi

A jornalista Manisha Pande afirma que a imprensa da Índia perdeu espaço para perguntas e reportagens independentes desde a chegada de Narendra Modi ao cargo de primeiro-ministro, em 2014. Segundo ela, Modi não concede entrevistas coletivas desde então e prefere fazer declarações nas redes sociais ou conversar com artistas.

Pande é diretora editorial do site Newslaundry. Ela diz que o trabalho da organização é mostrar que entrevistas baseadas em perguntas pessoais, como preferências alimentares e amizades, não substituem o jornalismo voltado à cobrança de autoridades.

A jornalista participou de uma entrevista no sábado, September 5th, durante um festival de jornalismo realizado na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. O evento chegou à sua tenth edition e reuniu oito jornalistas de sete países para discutir a direção de veículos de comunicação em períodos de turbulência.

Controle da narrativa

Para Pande, o jornalismo indiano foi esvaziado ao longo de twelve years. A repressão, segundo ela, não ocorre necessariamente com soldados ou tanques nas ruas, mas pelo alinhamento dos meios de comunicação ao governo. A aquisição da emissora New Delhi Television, no end of 2022, pelo empresário Gautam Adani, próximo de Modi, marcou, na avaliação dela, o fim do pluralismo na mídia tradicional.

Na televisão, Pande afirma que a narrativa sobre o país costuma seguir três ideias: Modi seria o melhor acontecimento da história da Índia; a oposição seria controlada pelo Paquistão ou pela CIA; e os muçulmanos seriam inimigos do povo.

O Newslaundry tenta contestar essas versões com reportagens e com o programa TV Newsance, transmitido pelo YouTube. A atração combina notícias, sátira e crítica da mídia. Pande diz que o humor ajuda a tratar dos temas sem transformar a cobertura em um sermão.

A Índia ocupa a posição 157th out of 180 no índice de liberdade de imprensa citado por Pande. Em 2015, ela e o jornalista Sandeep Pai usaram o Right To Information Act, mecanismo semelhante à Lei de Acesso à Informação brasileira, para obter documentos sobre transações consideradas corruptas entre políticos e empresas estatais. Para Pande, seria difícil repetir hoje uma investigação desse tipo porque a lei praticamente deixou de funcionar.

Novas formas de apoio

Desde May, surgiu na Índia o Cockroach Janta Party, ou CJP, uma mobilização que satiriza o partido de Modi, o BJP. O movimento atraiu jovens insatisfeitos com a situação da educação e do desemprego. Impulsionado inicialmente pelo Instagram, ganhou as ruas e foi reprimido pelas forças de segurança.

Os manifestantes rejeitaram a cobertura da mídia tradicional por temerem que suas reivindicações fossem distorcidas. Pande afirma que o Newslaundry foi bem recebido, enquanto emissoras tradicionais foram expulsas dos locais de protesto.

A jornalista diz que os jovens indianos estão cansados do discurso único do governo e buscam um jornalismo mais plural. O site sobrevive apenas com assinaturas, sem publicidade ou dinheiro estatal. Pande afirma que a estratégia foi adotada para escapar da dependência de anunciantes e que, apesar da desconfiança inicial, a organização conseguiu formar uma base fiel de assinantes.

Para ela, o sucesso está em ajudar o público a enxergar os fatos com mais clareza, desafiando pontos de vista e reduzindo o peso da polarização.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5