O Irã ampliou as conexões ferroviárias e terrestres com a China para manter o comércio exterior diante do bloqueio naval dos Estados Unidos. As trocas realizadas por essas rotas cresceram dez vezes, enquanto a rede ferroviária tem capacidade técnica estimada entre 300 mil e 400 mil barris de petróleo por dia.
Os dados foram apresentados pelo parlamentar iraniano Meisam Zohourian em 29 de setembro. O plano prevê a ativação de três corredores ferroviários, a expansão dos portos no norte do Irã e a abertura de caminhos alternativos para a circulação de mercadorias.
A capacidade indicada para o petróleo representa o potencial da infraestrutura, e não o volume de exportações já transportado. Zohourian reconheceu que as ferrovias ainda não conseguem absorver toda a carga movimentada anteriormente por via marítima.
Ferrovias enfrentam desequilíbrio de cargas
A maior parte dos produtos que percorrem as conexões ferroviárias corresponde a importações destinadas ao mercado iraniano. Com isso, os trens retornam com vagões vazios, o que reduz o aproveitamento da estrutura e eleva os custos das viagens.
O aumento das exportações por ferrovia busca ocupar o espaço disponível no retorno e dividir as despesas entre os dois sentidos do trajeto. A expansão, porém, exige ajustes para acomodar um fluxo maior de mercadorias exportadas pelo Irã.
A proposta prevê o uso inicial de caminhões e trens para o transporte de petróleo e para a consolidação de corredores comerciais alternativos. Esses trajetos podem embasar a construção de oleodutos no futuro, desde que estudos confirmem a viabilidade financeira dos projetos.
Bloqueio restringe portos iranianos
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementou o bloqueio naval em 13 de abril, depois do fracasso das negociações de paz em Islamabad, no Paquistão. A medida limita o trânsito de embarcações e o desembarque de cargas nos principais portos iranianos, afetando o escoamento de petróleo.
Registros alfandegários iranianos apontaram cerca de 1.300 remessas da China com componentes para mísseis e drones destinados ao Irã entre janeiro e o fim de junho. Entre os itens estavam peças eletrônicas para sistemas de orientação e veículos não tripulados, entregues ao Ministério da Defesa iraniano no mesmo dia do anúncio do cessar-fogo de abril.
Os registros também mencionaram remessas de peças para drones superiores a US$ 6 milhões e aumento dos voos cargueiros chineses para o Irã ao longo do último ano. As informações reforçam a busca iraniana por alternativas terrestres e ferroviárias, embora a capacidade dessas rotas permaneça inferior à do transporte marítimo anterior.








