A utilização pelo Brasil de parte da cota uruguaia de carne bovina para a China em 2026 ainda depende da autorização chinesa. A gestão dos volumes é feita integralmente pela China, e há dúvidas no mercado sobre a possibilidade de transferência entre fornecedores.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que o Uruguai autorizou o uso do excedente durante encontro com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, nesta segunda-feira (21/9). Em postagem no X, Lula disse que os dois governos trataram de infraestrutura e comércio agrícola e agradeceu a autorização.
A cota do Uruguai para exportar carne bovina à China sem tarifa extra em 2026 é de 331 mil toneladas. Desse total, cerca de 80 mil toneladas poderiam ser destinadas ao Brasil, volume equivalente a aproximadamente um mês de embarques brasileiros para o mercado chinês.
Negociação entre cotas
A proposta discutida pelo Ministério da Agricultura brasileiro previa uma troca de cotas. O Brasil entregaria sua parcela na cota do Mercosul para exportação de carne bovina resfriada à União Europeia, que está temporariamente fechada por falta de comprovação no controle do uso de antimicrobianos. Em contrapartida, o Uruguai repassaria o volume não utilizado de sua cota para a China.
Ainda não há confirmação de que esse modelo tenha sido incluído nos termos acertados entre os governos nesta segunda-feira.
Para Fernando Iglesias, consultor da Safras e Mercado, a decisão chinesa será determinante. “Se a China decidir que essa cota é intransferível, o Brasil não vai ter acesso à cota do Uruguai, da Argentina, dos Estados Unidos, da Nova Zelândia”, afirmou. Ele também disse que, sem o aceite chinês, a dinâmica das exportações para o país não será alterada.








