As vendas antecipadas de soja da safra 2026/27 avançaram com a valorização da oleaginosa, mas o risco climático tem levado produtores a adiar novos negócios. A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos do El Niño sobre a produtividade, especialmente em áreas do Centro-Norte, onde há expectativa de chuvas abaixo da média.
Luiz Fernando Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, afirma que 23% da produção que será plantada este mês já foi negociada. O percentual fica abaixo da média dos últimos cinco anos, de 29%, mas está acima dos 21% registrados no mesmo período de 2025.
O indicador Cepea/Esalq, com base no porto de Paranaguá, encerrou o dia em R$ 160,12, maior cotação em três anos. A valorização no mercado interno começou em julho e ganhou força, mas não levou os produtores a acelerar as vendas de forma mais agressiva.
“Em anos como este [com a presença do El Niño], parte dos produtores tende a especular um pouco mais antes de avançar nas negociações”, afirma Roque. Na avaliação dele, o início do plantio, combinado a novas previsões de risco para as lavouras, pode reduzir o ritmo de comercialização.
Preços e risco de contrato
Ale Delara, diretor da Delara Agronegócios, também aponta alta dos preços em agosto. Em Sinop, a saca estava cotada a R$ 119, depois de subir R$ 15 na comparação com o mesmo mês do ano passado. A consultoria calcula que as vendas antecipadas da safra 2026/27 chegaram a 31,3%, contra 22,8% um ano antes.
Segundo Delara, parte das consultorias recomenda cautela ao produtor, que precisa decidir entre aproveitar as cotações atuais e esperar uma possível valorização. Ele também cita o risco de o agricultor vender grandes volumes, ter uma quebra de safra e ficar sujeito a washouts, cláusula que prevê indenização pelo não cumprimento do contrato de grãos.
Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, atribui o ambiente favorável de preços à demanda firme no mercado interno e externo, aos prêmios positivos e ao dólar em patamar elevado. Esses fatores levaram as vendas da safra nova a 20% da produção esperada, igualando a média dos últimos cinco anos.
Queiroz relata que produtores esperam novas altas, dependendo dos efeitos do El Niño sobre a safra 2026/27. Para ele, o clima influencia as decisões tanto pela possibilidade de mudança nos preços quanto pela expectativa de menor produtividade.








