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Economista recomenda venda parcial da soja diante da virada no ciclo agrícola

Alexandre Mendonça de Barros sugere proteger parte do resultado, mas alerta para o risco de vender mais do que o produtor poderá colher.

Economista recomenda venda parcial da soja diante da virada no ciclo agrícola

O economista Alexandre Mendonça de Barros recomenda que produtores brasileiros comercializem parte da safra de soja antecipadamente, aproveitando a alta recente dos preços. A estratégia, segundo ele, deve ser adotada com cautela diante da possibilidade de efeitos do El Niño sobre a produção e da mudança no ciclo das commodities agrícolas.

Sócio-consultor da MB Agro e doutor em Economia Aplicada pela Esalq/USP, Mendonça de Barros afirmou que a reavaliação dos riscos econômicos e climáticos já provocou uma reprecificação da soja. Para ele, produtores podem montar posições de venda conforme sua escala, sem comprometer toda a produção.

“Alguma posição de venda é muito relevante nesse momento”, afirmou em videocast da BB Seguros nesta quinta-feira (10/9). O economista disse que não venderia tudo, mas também não deixaria de aproveitar os ganhos recentes, que podem chegar a R$ 20 e R$ 30 por saca de soja.

Risco climático e oferta

Modelos climáticos indicam que o El Niño deste ano pode produzir efeitos semelhantes aos de 2015. Simulações da consultoria de Mendonça de Barros apontam para uma possível perda de 12 milhões de toneladas na produção de soja. A queda nas vendas de adubos no Brasil e a previsão de menor uso de tecnologia na safra de grãos também podem influenciar os preços.

O economista avalia que esse risco ainda não foi totalmente incorporado às cotações internacionais. Se a perda atingir essa dimensão, pode haver novos ganhos de preço. Ele também citou perdas de safras na Europa e dúvidas sobre a produtividade das lavouras americanas como fatores que influenciam os contratos futuros.

Após dois anos de oferta elevada, traders reduziram as compras diante da percepção de uma safra grande e de um cenário de endividamento. Agora, importadores passaram a considerar uma possível redução da oferta. Segundo Mendonça de Barros, desde maio houve aumento das posições e surgiram prêmios no mercado futuro, com maior procura por soja para janeiro de 2027.

O economista afirmou que fundos voltaram a comprar posições de soja, milho, trigo e algodão. Ao mesmo tempo, não descarta quedas fortes se o clima ficar mais ameno. Nas regiões com maior risco climático, ele recomenda evitar a sobrevenda. “Vender e não colher pode ser o maior problema”, alertou.

A proteção contra oscilações de preços, disse Mendonça de Barros, deve fazer parte do planejamento completo da safra. O produtor precisa conhecer profundamente os custos, dominar a tecnologia disponível e adaptar suas decisões ao mercado, sem tentar acertar sempre o melhor preço.

A recomendação final é proteger o resultado e aproveitar as oportunidades ao longo de um ciclo considerado mais favorável, mantendo a capacidade de continuar na atividade.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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