A área plantada com soja no Brasil deve permanecer praticamente estável na safra 2026/27, mas as principais consultorias ainda projetam uma colheita recorde. A AgResource estima produção de 184,1 milhões de toneladas, alta de 2% sobre 2025/26, enquanto a StoneX calcula 183,5 milhões de toneladas, avanço de 0,5%. Com pouca expansão territorial, o ganho esperado depende principalmente da produtividade.
A AgResource projeta o plantio em 48,7 milhões de hectares, mesmo nível da safra 2025/26. Para Raphael Mandarino, diretor da empresa, os produtores estão mais cautelosos porque o crédito encareceu, as instituições financeiras ficaram mais restritivas e há despesas pendentes a pagar ou renegociar.
A StoneX prevê uma área de 49,48 milhões de hectares, próxima dos 49,10 milhões cultivados em 2025/26. Raphael Bulascoschi, analista de Inteligência de Mercado da companhia, afirma que o clima ainda não reduziu o potencial da temporada. Há possibilidade de atraso no plantio no Norte, onde o tempo está mais seco, mas Mato Grosso recebeu chuvas favoráveis nos últimos dias.
Custos mudam decisões no campo
Em Balsas, no Maranhão, Lucas Goulart manteve em 12 mil hectares a área destinada à soja. A decisão foi influenciada pelo aumento das despesas, principalmente dos adubos fosfatados. O preço do insumo dobrou neste ano, para US$ 800 a tonelada, após a guerra no Oriente Médio.
Com o custo maior, o produtor decidiu não abrir algumas áreas e utilizar, nas lavouras consolidadas, a reserva de adubo disponível. É a primeira vez em 20 anos que essa reserva será usada na propriedade.
Goulart também acompanha os efeitos possíveis do El Niño no Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A previsão é de irregularidade nas chuvas e períodos mais longos de seca durante as etapas iniciais do plantio. A produtividade atual na propriedade é de 70 sacas por hectare, enquanto parte dos produtores da região obtém 55 sacas, nível próximo do custo de produção.
Em Canoinhas, no norte de Santa Catarina, Charles Breda ampliará em 7% a área cultivada, hoje de 1.400 hectares. Para enfrentar a previsão de chuvas acima da média no Sul, ele reforçou a cobertura do solo e investiu na descompactação, medidas que também podem favorecer o rendimento das lavouras e diluir os custos.








