A União Europeia não mudou sua posição sobre a carne bovina brasileira e estima que a retomada das compras leve dois anos, afirmou o ministro da Agricultura, André de Paula. O bloco exige garantias de que não houve uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais.
A avaliação ocorreu após técnicos europeus aprovarem os controles de antimicrobianos nas cadeias de aves e mel. Com isso, o Brasil tenta acelerar a votação do relatório pelo comitê técnico da Comissão Europeia, o Scopaff, para voltar à lista de fornecedores autorizados.
A próxima reunião está prevista para 20 e 21 de outubro. O governo brasileiro pediu uma agenda extraordinária e quer que a análise ocorra “o mais rápido possível”, segundo André de Paula. O ministro disse que as tratativas com Bruxelas continuam para reabrir o mercado de produtos de origem animal.
Missão britânica e outras cadeias
O Reino Unido, que manteve as compras de carne bovina do Brasil, enviará uma missão técnica em outubro para avaliar o sistema sanitário e os controles sobre antimicrobianos. Para o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, a auditoria poderá referendar os argumentos brasileiros.
Goulart afirmou que, no modelo exigido pelos europeus, o país precisa operar o sistema de controle durante um ciclo produtivo e depois submetê-lo à avaliação do bloco. No caso das aves, esse período é de 42 dias. Para ovos, o ciclo é de oito meses, e uma nova auditoria deverá ser marcada ao fim desse prazo. Os pescados também precisarão passar por outra avaliação; o mercado europeu está fechado desde 2017.
O governo ainda discute a possibilidade de banir antimicrobianos no país, uma demanda da indústria frigorífica. André de Paula afirmou que qualquer decisão terá participação dos setores envolvidos.
Novas plantas habilitadas pela China
A China autorizou quatro frigoríficos brasileiros: Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e Masterboi, de Canhotinho (PE), para carne bovina; Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS), para frango.
As autoridades chinesas auditaram 17 plantas de forma remota, de uma lista de 33 unidades apresentada pelo governo brasileiro. André de Paula prevê novas habilitações ainda em 2026 e espera avanço na autorização para importar miúdos bovinos.
A Administração-Geral de Alfândegas chinesa informou que o Brasil preencheu 100% do volume de 1,106 milhão de toneladas da cota de carne bovina em 2026. O ministro disse que ainda não houve novas tratativas sobre a expansão da cota ou o uso de volumes não utilizados por outros países.








