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A fé como força política no apoio evangélico a Mendonça e Flávio

A leitura da política como batalha espiritual ajuda a explicar a mobilização de fiéis em torno de André Mendonça e Flávio Bolsonaro.

A fé como força política no apoio evangélico a Mendonça e Flávio

A mobilização de líderes e fiéis evangélicos em torno do ministro André Mendonça e do senador Flávio Bolsonaro ocorre dentro de uma visão política que transforma disputas institucionais em batalhas espirituais. Nessa lógica, adversários são associados ao mal, enquanto os aliados passam a ser vistos como ungidos e representantes de uma missão religiosa.

Mendonça, que é pastor evangélico, publicou há alguns dias um vídeo em suas redes sociais no qual agradeceu mensagens de oração e carinho. Ele afirmou que as preces a Deus têm sido fundamentais para sustentá-lo. Em seguida, Michelle Bolsonaro chamou o ministro de “escolhido e ungido do Senhor” e disse que ele permaneceu fiel aos princípios, forte e corajoso. Correntes de fiéis também passaram a convocar orações por Mendonça.

A disputa no Supremo Tribunal Federal é apresentada, nesse ambiente, como uma cruzada conduzida por Mendonça, principalmente contra Alexandre de Moraes, que passa a encarnar a figura do mal. Flávio Bolsonaro tem percorrido igrejas evangélicas pelo país e se aproximado desse campo por sua ligação com Mendonça, pela oposição a Moraes e pelos ataques ao STF.

A teologia do domínio

A Teologia do Domínio defende que cristãos devem governar e influenciar todas as áreas da sociedade. Essa visão entende o poder político como instrumento legítimo de conquista espiritual e social. A doutrina surgiu no meio calvinista norte-americano entre as décadas de 1960 e 1970 e foi amplamente incorporada por pentecostais nos anos 1980.

Dentro dessa interpretação, guerras, crises econômicas, conflitos políticos e disputas sociais podem ser vistos como manifestações de batalhas entre anjos e demônios. A extrema direita, especialmente o bolsonarismo, associou a esse discurso a ideia de que a esquerda, o comunismo, feministas, universidades, professores, a imprensa e a comunidade LGBT+ seriam inimigos a combater.

Esse enquadramento ajuda a explicar por que escândalos envolvendo figuras apoiadas por parte dos evangélicos podem perder peso diante da ideia de unção. Mendonça e Flávio são citados como diretamente implicados na crise política relacionada ao Banco Master, mas continuam recebendo apoio de fiéis que interpretam a disputa como uma batalha mais profunda.

A última pesquisa Quaest mencionada mostra Flávio à frente de Lula no segundo turno, com 42% contra 40% do atual presidente. O crescimento entre eleitores evangélicos é relacionado à aproximação com Mendonça e à sua presença em igrejas.

O pastor presbiteriano Caio Fábio, ex-presidente e fundador da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), resumiu essa lógica ao afirmar: “em nome de Deus, a canalhice é santificada.”

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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