A Yara International reduziu em 17% os volumes de fertilizantes comercializados no segundo trimestre, na comparação anual. Mesmo com a queda nas vendas na América do Sul e na América do Norte, a receita aumentou 12%, para US$ 4,4 bilhões, devido à alta dos preços.
A combinação de insumos mais caros e preços baixos das commodities agrícolas reduziu as margens dos produtores na primeira metade do ano e provocou atrasos nas compras de adubos, segundo a companhia. O cenário ocorre após interrupções no fluxo de insumos e aumento dos preços desde o início da guerra no Oriente Médio.
Clima amplia a preocupação
O El Niño muito forte, formado em julho, deve durar pelo menos até o início de 2027, conforme previsões dos principais órgãos meteorológicos. Para Svein Tore Holsether, CEO da Yara International, os efeitos climáticos podem pesar mais sobre a produção agrícola neste ano do que a menor aplicação de fertilizantes.
“Se você tiver uma combinação de condições climáticas severas e não colocar o tipo certo de fertilizante na lavoura, talvez junto com o El Niño forte, a combinação disso tudo pode ser bem severa”, afirmou Holsether.
O executivo também apontou risco para a produção de alimentos no curto e no longo prazo caso os agricultores usem menos fertilizantes do que o necessário para o desenvolvimento das lavouras. A avaliação inclui o Brasil, onde os solos precisam de volumes significativos de adubos para continuar produtivos.
A preocupação é maior no caso dos fertilizantes nitrogenados. Holsether disse que testes de longo prazo indicam impactos severos na produtividade quando a aplicação desses nutrientes é reduzida. Mesmo que o produtor apenas adie a compra ou o uso do adubo, a produtividade pode cair posteriormente.
Recuperação do solo pode levar anos
Luis Torres, vice-presidente de agronomia e pesquisa e desenvolvimento da Yara International, afirmou que a redução dos estoques de nutrientes no solo pode exigir dez anos para a recuperação da capacidade produtiva.
O mercado de fertilizantes também enfrenta restrições na oferta. Desde 2022, quando a Rússia iniciou a guerra contra a Ucrânia, o setor sofreu abalos. Neste ano, o fechamento do Estreito de Ormuz, relacionado ao conflito no Oriente Médio, reduziu a oferta de insumos como gás natural, usado nos nitrogenados, e enxofre, empregado nos fosfatados.
O preço do enxofre chegou a US$ 1.200 a tonelada desde o início da guerra, no fim de fevereiro, antes de se acomodar nas últimas semanas. Holsether afirmou que a alta afeta a Yara, mas disse que a empresa consegue manter parte da produção sem esse insumo em suas plantas na Noruega.
Para o executivo, governos devem apoiar os produtores diante dos possíveis efeitos sobre a produtividade e o acesso financeiro aos alimentos. Ele afirmou ainda não ter uma perspectiva sobre a direção dos preços do enxofre.








