SÃO PAULO — Gestoras de venture capital voltadas a agtechs apostam na inteligência artificial aplicada ao setor de biológicos para impulsionar investimentos em startups. A avaliação ocorre em um cenário de juros altos e acesso restrito a crédito para o agronegócio, debatido no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado pela Datagro nesta quinta-feira (1/10).
Felipe Guth, diretor financeiro e de compliance da SP Ventures, afirmou que a menor oferta de capital não impede novos aportes, mas aumenta a exigência na escolha das startups. Para ele, a inteligência artificial é necessária para o desenvolvimento de softwares pelas agtechs, pois reduz custos e acelera o lançamento de produtos.
Kieran Gartlan, sócio-gestor do The Yield Lab, também vê espaço para investimentos durante a estagnação do mercado. Na avaliação dele, a escassez de recursos dá mais poder de negociação a quem investe, enquanto períodos de maior abundância favorecem as startups na definição de preços. Gartlan afirmou: “A IA vai acelerar tudo isso. Se não tiver IA, não nos interessa”.
Biológicos e captação
Guth considera o segmento de biológicos o mais promissor para novos negócios. Segundo ele, a dificuldade enfrentada pelo produtor aumenta a busca por soluções capazes de melhorar a saúde do solo e gerar mais valor agregado.
A SP Ventures pretende concluir seu terceiro fundo de investimento até o fim de 2026, com R$ 70 milhões a R$ 80 milhões destinados a agtechs. A gestora já captou R$ 45 milhões. Guth avaliou que a desaceleração do agronegócio e do venture capital cria uma oportunidade para a compra de startups.
No início de 2026, a BemAgro captou R$ 30 milhões. A startup usa inteligência artificial e visão computacional. O CEO Johann Coelho classificou o ambiente de captação como difícil e apontou como diferenciais uma proposta de valor clara, um plano definido para a aplicação dos recursos e uma equipe sólida. Para ele, a operação da empresa não pode ser interrompida durante a captação.








