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Auditorias apontam sobrepreços e leitos fechados em hospitais federais do Rio

Relatórios de órgãos de controle registraram falhas em contratos e unidades inoperantes durante o período de 2019 a 2022.

Auditorias apontam sobrepreços e leitos fechados em hospitais federais do Rio

Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria Geral da União (CGU) identificaram sobrepreços em contratos dos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o período de 2019 a 2022. Em uma compra de insumos para cirurgia vascular, o valor superdimensionado chegou a aproximadamente R$ 69 milhões. Em outra, para medicamentos contra o câncer, o sobrepreço foi de R$ 18,1 milhões.

Os hospitais eram administrados em meio a problemas de funcionamento e concentração de recursos em contratos de limpeza, vigilância e rouparia. Um diagnóstico de 235 páginas elaborado pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2023 apontou que 72% dos recursos das seis unidades — R$ 50,3 milhões por mês — eram destinados a despesas de custeio.

Contratos sob análise

No Hospital Geral de Bonsucesso, os gastos de custeio chegaram a quase 80%. O documento registrou que contratos de apoio administrativo com a Nova Rio Serviços Gerais tinham margens de lucro até 561% superiores ao acordado e custos indiretos até 581% acima de parâmetros equivalentes do Ministério da Saúde. A unidade também pagou mais de R$ 2 milhões em plano de saúde privado para funcionários terceirizados e adicional de insalubridade sem laudo para secretárias e almoxarifes.

A lavanderia Max Clean, ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes, multiplicou por oito o faturamento no período. Conforme dados do Portal da Transparência, a empresa recebeu R$ 81,5 milhões do Ministério da Saúde em centenas de contratos.

O diagnóstico apontou ainda que a troca de diretores ou coordenadores administrativos frequentemente coincidia com o fim de contratos. Entre 2019 e 2022, Bonsucesso teve cinco diretores. O documento recomendou auditoria sobre a pesagem de roupas e o faturamento da lavanderia.

Em uma licitação de 2022 para a compra de 120,9 milhões em insumos de cirurgia vascular para o Hospital dos Servidores, a auditoria encontrou sobrepreço de 57%. No mesmo hospital, uma compra de medicamentos para pacientes com câncer, no valor de R$ 31,3 milhões, tinha sobrepreço de R$ 18,1 milhões, também equivalente a 57%. Outra tentativa previa a aquisição de 180 stents por R$ 7,5 milhões, com preço unitário de R$ 42 mil.

Leitos fechados durante a pandemia

O relatório final da CPI da Covid registrou que 30% dos leitos clínicos e de UTI dos hospitais e institutos federais da capital fluminense permaneceram fechados durante a pandemia. A maior parte estava sem uso por falta de profissionais de saúde. No fim de dezembro de 2020, 3,5 mil contratos foram encerrados; uma medida provisória de 31 de dezembro de 2020 prorrogou apenas 1,4 mil por sessenta dias.

O Rio de Janeiro registrou mais de 2,8 milhões de casos confirmados de Covid e 77.166 mortes. Na capital, ocorreram 38,8 mil mortes.

Em abril de 2023, uma comissão da Câmara dos Deputados encontrou 735 leitos inoperantes ou bloqueados, andares vazios, alas trancadas, obras paralisadas e equipamentos sem uso. Em Bonsucesso, 126 dos 411 leitos estavam impedidos. No Andaraí, a falta de médicos atrasava até a declaração de mortes, e o hospital gastava R$ 1,6 milhão por mês para transportar comida porque a cozinha não havia sido concluída.

No Hospital Cardoso Fontes, uma investigação da Polícia Civil apurou a ocupação de um terreno por milicianos, que cobravam estacionamento de funcionários e familiares de pacientes.

Influência política e reestruturação

Gestores, ex-gestores, servidores públicos, parlamentares e funcionários de órgãos de controle relataram que Flávio Bolsonaro, embora não ocupasse cargo no governo do pai, influenciou indicações para os seis hospitais federais entre 2019 e 2022. O então deputado estadual se opôs, em 31 de julho de 2019, à indicação de Paulo Cotrim para Bonsucesso. Cotrim acabou exonerado menos de um mês depois.

Marcelo Muniz Lamberti assumiu o Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde no Rio após uma reunião com Flávio Bolsonaro, Luiz Mandetta e Francisco de Assis Figueiredo, registrada na agenda oficial de Mandetta em 28 de maio de 2019.

O deputado Otoni de Paula acusou Flávio de liderar um esquema de corrupção nos hospitais em março de 2026. Em maio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chamou o senador de “o poderoso chefão” das unidades federais durante o governo de Jair Bolsonaro.

A partir de 2023, o Ministério da Saúde iniciou a retirada dos hospitais da administração direta e a reorganização da rede. Em outubro de 2024, Bonsucesso passou ao Grupo Hospitalar Conceição. Dois meses depois, Andaraí e Cardoso Fontes foram entregues à prefeitura do Rio. Em dezembro, o Hospital dos Servidores foi incorporado à Universidade Federal Fluminense, sob gestão da Ebserh. O Hospital da Lagoa passou à Fundação Oswaldo Cruz em 2026. Ipanema continua sob gestão direta do ministério.

O ministério informou que o número de cirurgias aumentou 30%, para 21.869 em 2025, e que as internações cresceram 28%, para 42.516. Também foram reabertos 335 leitos e reativadas 16 salas cirúrgicas. Em Bonsucesso, os leitos em funcionamento passaram de 215 para 423, e a emergência foi reaberta em janeiro de 2025.

Apesar das mudanças, a fila de pessoas à espera de cirurgia subiu de 18 mil para 21 mil desde 2024. Em 2025, a Defensoria Pública da União encontrou biópsias acumuladas em Bonsucesso, guardadas em potes de sorvete e paçoca por falta de médicos patologistas.

No fim de agosto, Lindbergh Farias pediu ao Supremo Tribunal Federal a investigação de Flávio Bolsonaro por suspeitas relacionadas ao controle político dos hospitais. O pedido citou auditorias do TCU e da CGU, além do depoimento de Wilson Witzel à CPI da Pandemia em 16 de junho de 2021.

Flávio não respondeu aos pedidos de entrevista. Marcelo Lamberti afirmou que os atos de gestão estão registrados no Sistema Eletrônico de Informações e disse ser um servidor técnico, sem comentar como o senador teria exercido influência sobre os hospitais.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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