A projeção de produção de açúcar da União Europeia foi reduzida pela Hedgepoint Global Markets de 13,8 milhões para 13,1 milhões de toneladas. O novo cálculo representa queda de 17% em relação à safra 2025/26 e fica 2,2% abaixo da estimativa da Comissão Europeia. A revisão ocorreu após um verão excepcionalmente quente e seco, embora a umidade registrada desde o final de agosto tenha trazido algum alívio ao desenvolvimento da beterraba sacarina.
Chuvas excessivas no outono ainda podem dificultar a colheita europeia. O cenário faz parte de uma avaliação da Hedgepoint sobre os efeitos de um El Niño de forte intensidade no mercado global de açúcar. A maioria das agências meteorológicas espera que o fenômeno alcance o pico entre o final de 2026 e o início de 2027.
Brasil entre a colheita atual e a próxima safra
No Centro-Sul brasileiro, as previsões indicam chuvas acima da média entre outubro e dezembro, período que reúne a primavera e o início do verão. Para a colheita em andamento, a umidade pode prolongar as interrupções, reduzir os níveis de Açúcar Total Recuperável (ATR) e diminuir a eficiência das operações.
“No curto prazo, chuvas adicionais provavelmente prolongarão as interrupções na colheita, reduzirão os níveis de ATR e diminuirão a eficiência operacional”, afirma Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da Hedgepoint.
A mesma condição pode favorecer o desenvolvimento da cana destinada à safra de 2027/28. As estimativas da consultoria já incorporam parte dos efeitos sobre o ATR e a colheita, mas as previsões de precipitação mantêm o risco de uma revisão para baixo. Uma oferta mais restrita no quarto trimestre de 2026 e no primeiro trimestre de 2027 pode dar suporte adicional ao contrato de março.
Seca e calor pressionam a Ásia
Índia e Tailândia enfrentam temperaturas elevadas e menor disponibilidade de umidade durante fases críticas do desenvolvimento da cana. Na Índia, o estresse térmico aumenta as preocupações com rendimento, recuperação de açúcar e eficiência da moagem. Lívea afirma que o país pode precisar de novas quotas de importação durante a safra 26/27.
Na Tailândia, a previsão combina chuvas abaixo do normal e temperaturas acima da média até o início de 2027. Como a produção depende fortemente de cana irrigada pela chuva, o déficit de umidade e o calor representam risco para a produtividade e o teor de açúcar. As chuvas previstas para novembro ainda podem ajudar o desenvolvimento da cultura e limitar a antecipação da colheita. A expectativa é que os trabalhos comecem apenas em dezembro.
Na Indonésia, a estação chuvosa deve chegar mais tarde e durar menos que o normal em grande parte do país, especialmente em Java, uma das principais regiões produtoras de cana. O impacto sobre a safra atual tende a ser menor, mas há preocupação com a produção futura.








