A diferença entre os preços de arroz e feijão aparece com força nos dados de 2026. Enquanto o arroz acumula queda em 12 meses, as duas principais variedades de feijão registram altas expressivas no mesmo período, apesar de recuos recentes nas variações mensais.
Os dados do IPCA mostram que o arroz teve alta de +0,39% no acumulado do ano e queda de -8,85% nos últimos 12 meses. Em agosto, houve avanço de +1,34%. Para Felippe Serigati, professor do FGV Agro, o comportamento indica uma busca por equilíbrio no mercado: “O mercado está se ajustando”.
No feijão carioca, a alta acumulada em 2026 chegou a +42,30%, enquanto a variação de agosto foi de -4,82%. Nos últimos 12 meses, o aumento alcançou +44,17%. O feijão preto teve alta de +25,85% no ano e de +19,98% em 12 meses, mas recuou -0,63% em agosto.
Produção menor na safra
A Conab divulgou nesta terça-feira (15/9) os números finais da safra 2025/26. A produção de arroz foi de 11 milhões de toneladas, queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A área plantada diminuiu 14% e ficou em 1,5 milhão de hectares.
No feijão, a produção somou 2,9 milhões de toneladas, recuo de 3,6% ante a safra 2024/25. A área cultivada encolheu 5,7%, para 2,5 milhões de hectares.
Mesmo com a redução, a Conab avalia que o volume produzido será suficiente para abastecer o mercado brasileiro e ainda poderá permitir algum nível de exportação.
Preços ao produtor influenciaram plantio
A retração da área plantada é associada ao achatamento das cotações recebidas pelos produtores. Segundo o Indicador Cepea/Irga, a saca de 50kg de arroz em casca valia mais de R$ 120 em meados de 2024. Quando começou o plantio da safra seguinte, em setembro do ano passado, o preço havia caído pela metade. Nas últimas semanas, houve reação, e a saca passou a ser cotada em R$ 80.
O feijão preto tipo 1 também oscilou. Na metade sul do Paraná, a saca de 60kg chegou a R$ 350 em setembro de 2024. Um ano depois, estava em R$ 117.
Projeções para 2026/27
A estimativa preliminar da Conab indica ligeiro aumento de 0,9% na área de arroz, mas a produção projetada é de 10,7 milhões de toneladas, 2,9% abaixo do ciclo 2025/26. A previsão está relacionada ao volume superior a 12 milhões de toneladas alcançado na safra 2024/25, que pressionou os preços pagos aos produtores.
“Isso gerou um excedente de oferta muito grande, que derrubou bastante os preços ao produtor”, afirmou Gabriel Corrêa, gerente de fibras e alimentos básicos da Conab.
Para o feijão, a produção deve ficar em torno de 2,9 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, com queda prevista de 0,7%. A segunda safra é a única com redução de área estimada, de -1,9%.
O presidente da Conab, Silvio Porto, afirmou que essa projeção pode mudar. A segunda safra será plantada em dezembro, e as condições climáticas e os preços podem alterar a tendência indicada no levantamento.








