A produção brasileira de trigo deve somar 5,7 milhões de toneladas em 2026, queda de 27,1% em relação ao ano passado. A estimativa é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no levantamento de safra divulgado na terça-feira (15/9).
A retração projetada combina redução da área plantada e da produtividade. O cultivo deve ocupar 1,9 milhão de hectares, recuo de 21,2%, enquanto o rendimento esperado é de 2,9 mil quilos por hectare, baixa de 7,5%. A semeadura foi concluída em todas as regiões produtoras. O Rio Grande do Sul é o maior produtor nacional.
Os preços pagos ao produtor vêm desestimulando o cultivo, em um cenário que também inclui endividamento de agricultores. A influência do fenômeno El Niño aumenta o receio sobre problemas climáticos nas lavouras. Para a Conab, o excesso de chuvas nas regiões produtoras já provoca doenças nas culturas de inverno, principalmente no trigo.
Efeito sobre farinha e pão
Os dados oficiais de inflação não apontam, até agora, uma alta relevante do pão francês associada à menor produção. O IPCA acumula 4,22% nos últimos 12 meses. No caso da farinha de trigo, a variação acumulada no ano foi de -4,33% e, nos últimos 12 meses, de -5,32%. Em agosto, houve alta de 0,43%.
O pão francês subiu 0,40% em agosto, acumulou alta de 3,78% no ano e de 4,65% nos últimos 12 meses. Para o economista Felippe Serigati, da FGV Agro, esses números não mostram uma alta de preços chegando ao consumidor. Ele também não identifica elevação relevante no valor da farinha.
“Só que a safra de trigo ainda não foi colhida completamente”, afirma Serigati. Segundo o economista, as chuvas na região Sul podem comprometer a qualidade do cereal e dificultar a absorção integral pelos moinhos.
Mercado e colheita
No Paraná, a tonelada do trigo está em torno de R$ 1,5 mil, conforme o Cepea/Esalq. Em abril, quando começa a semeadura, a cotação estava abaixo de R$ 1,3 mil. A Conab relaciona a redução da área principalmente às condições de mercado.
Marco Antônio Chaves, gerente substituto de acompanhamento de safras da Conab, também cita o encarecimento dos insumos provocado pela guerra no Oriente Médio como fator que desestimulou o plantio. A colheita começou e alcança 18% da área semeada, segundo a companhia.








