Osasco, Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Osasco 20°C 16° / 25° Mega-Sena 3060: 6 · 15 · 23 · 36 · 37 · 38
A economia que move o interior
Brasil

Linchamento no Rio amplia debate sobre violência e segurança em ano eleitoral

Pesquisador Bruno Paes Manso relaciona linchamentos, operações policiais e discursos de ordem ao medo e ao punitivismo.

Linchamento no Rio amplia debate sobre violência e segurança em ano eleitoral

Cláudio Rafael Landeiro, 37, morreu depois de ser atacado em Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 11 de agosto. Ele havia parado em um estabelecimento comercial usando a bicicleta da irmã quando seguranças particulares e entregadores o acusaram de roubo. O grupo o agrediu com socos, chutes e pauladas.

O episódio foi analisado pelo jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso em entrevista a Andrea Dip, no Pauta Pública. Para ele, o caso se conecta à presença crescente do linchamento no debate sobre segurança pública e à crença de que a violência pode impor ordem.

O Brasil registrou 227 casos de linchamento em 2025. Até maio deste ano, foram 88 ocorrências. Paes Manso afirmou que esse tipo de agressão identifica um suspeito como bode expiatório e reúne pessoas contra ele, em um movimento marcado pela covardia.

“A violência, em vez de produzir ordem, produz covardia e desordem”, disse o pesquisador.

Medo e operações policiais

Na avaliação de Paes Manso, o ambiente do Rio de Janeiro combina o controle territorial armado de grupos criminosos, conflitos ligados ao tráfico de drogas e operações policiais frequentes. Ele citou o medo de moradores diante de tiroteios durante a rotina de trabalho e de ida à escola, além da preocupação das famílias com a aproximação dos filhos com o crime.

O pesquisador também mencionou a Operação Contenção, realizada em 2025 no complexo da Penha-Alemão. A ação provocou 122 mortes e teve aprovação superior a 67% em uma pesquisa da Genial/Quaest. Para Paes Manso, operações desse tipo podem ser usadas por governantes para mobilizar o medo da população e associar força à produção de ordem.

Raça, punição e masculinidade

A entrevista também abordou o componente racial da violência. Paes Manso relacionou a formação histórica do país à imagem do homem jovem, negro e morador da periferia como uma ameaça. Ele afirmou que essa percepção influencia a ação policial, o sistema de Justiça e o encarceramento.

Segundo o pesquisador, a população prisional passou de 90 mil para 900 mil pessoas, com forte presença de moradores de bairros considerados perigosos e presos em flagrante. Para ele, esse processo contribui para a organização do crime dentro das prisões e mantém ciclos de ressentimento e violência.

Paes Manso ainda relacionou o punitivismo à masculinidade. Ele afirmou que 95% dos homicídios são cometidos por homens e avaliou que a força aparece, em parte, como tentativa de recuperar uma autoridade considerada perdida diante das transformações no papel das mulheres na sociedade.

A entrevista também discutiu a crise das masculinidades e a dificuldade de diálogo entre homens e mulheres em um período de mudanças sociais. Nesse cenário, a violência é apresentada como um recurso para impor autoridade e responder a conflitos de segurança, gênero e poder.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5