Cláudio Rafael Landeiro, 37, morreu depois de ser atacado em Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 11 de agosto. Ele havia parado em um estabelecimento comercial usando a bicicleta da irmã quando seguranças particulares e entregadores o acusaram de roubo. O grupo o agrediu com socos, chutes e pauladas.
O episódio foi analisado pelo jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso em entrevista a Andrea Dip, no Pauta Pública. Para ele, o caso se conecta à presença crescente do linchamento no debate sobre segurança pública e à crença de que a violência pode impor ordem.
O Brasil registrou 227 casos de linchamento em 2025. Até maio deste ano, foram 88 ocorrências. Paes Manso afirmou que esse tipo de agressão identifica um suspeito como bode expiatório e reúne pessoas contra ele, em um movimento marcado pela covardia.
“A violência, em vez de produzir ordem, produz covardia e desordem”, disse o pesquisador.
Medo e operações policiais
Na avaliação de Paes Manso, o ambiente do Rio de Janeiro combina o controle territorial armado de grupos criminosos, conflitos ligados ao tráfico de drogas e operações policiais frequentes. Ele citou o medo de moradores diante de tiroteios durante a rotina de trabalho e de ida à escola, além da preocupação das famílias com a aproximação dos filhos com o crime.
O pesquisador também mencionou a Operação Contenção, realizada em 2025 no complexo da Penha-Alemão. A ação provocou 122 mortes e teve aprovação superior a 67% em uma pesquisa da Genial/Quaest. Para Paes Manso, operações desse tipo podem ser usadas por governantes para mobilizar o medo da população e associar força à produção de ordem.
Raça, punição e masculinidade
A entrevista também abordou o componente racial da violência. Paes Manso relacionou a formação histórica do país à imagem do homem jovem, negro e morador da periferia como uma ameaça. Ele afirmou que essa percepção influencia a ação policial, o sistema de Justiça e o encarceramento.
Segundo o pesquisador, a população prisional passou de 90 mil para 900 mil pessoas, com forte presença de moradores de bairros considerados perigosos e presos em flagrante. Para ele, esse processo contribui para a organização do crime dentro das prisões e mantém ciclos de ressentimento e violência.
Paes Manso ainda relacionou o punitivismo à masculinidade. Ele afirmou que 95% dos homicídios são cometidos por homens e avaliou que a força aparece, em parte, como tentativa de recuperar uma autoridade considerada perdida diante das transformações no papel das mulheres na sociedade.
A entrevista também discutiu a crise das masculinidades e a dificuldade de diálogo entre homens e mulheres em um período de mudanças sociais. Nesse cenário, a violência é apresentada como um recurso para impor autoridade e responder a conflitos de segurança, gênero e poder.








