Osasco, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Osasco 15°C 13° / 17° Mega-Sena 3061: 24 · 25 · 28 · 37 · 47 · 55
A economia que move o interior
Brasil

PF pediu à AGU medidas contra decisão de Mendonça no caso Master

Ofício sigiloso de 23 de julho foi recusado pela AGU, que afirmou não haver medida judicial possível contra a decisão do ministro.

PF pediu à AGU medidas contra decisão de Mendonça no caso Master

A Polícia Federal pediu à Advocacia-Geral da União que avaliasse medidas contra uma decisão do ministro André Mendonça, então relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. O pedido foi enviado em ofício sigiloso às 10h50 de 23 de julho de 2026 pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

A AGU respondeu, também sob sigilo, que não havia medida judicial possível. A análise foi feita pela Secretaria-Geral de Contencioso, área responsável pela representação da União no STF.

O documento da PF afirmou que não havia qualquer indício de irregularidade nas investigações e classificou como desarrazoada uma decisão que limitasse atribuições administrativas da corporação. Também registrou que o controle externo da polícia cabe ao Ministério Público Federal. O pedido mencionou uma decisão de Mendonça de maio, considerada de conteúdo semelhante, e citou a possibilidade de a AGU defender agentes públicos por atos praticados no exercício do cargo.

Motivos apresentados pela AGU

Em reunião realizada em 24 de julho, foram apontadas falhas no pedido, como a falta de documentos e o fato de a AGU não ter acesso aos processos sob sigilo, mas apenas a cópias das decisões. A análise também registrou que a repercussão sobre o incômodo da PF tratava da decisão de maio, e não da determinação de julho.

A nota jurídica concluiu que o caso não envolvia a defesa de um agente público e que a AGU não atua em investigação criminal. Também avaliou que a PF não havia demonstrado prejuízo concreto causado pela exigência de comunicar previamente mudanças na equipe de investigadores.

Outro argumento foi a perda de prazo. Segundo a análise, as regras já constavam da decisão de maio, enquanto a restrição de acesso interno existia desde o início do caso, sem recurso da PF. A nota mencionou inércia prolongada da autoridade policial. Como o material bruto já havia sido encaminhado ao gabinete do relator, a AGU também concluiu que não havia medida a suspender.

A resposta sugeriu que a PF conversasse diretamente com Mendonça ou levasse o caso ao Ministério Público Federal. A nota não teve a data de assinatura informada nas páginas obtidas.

Encontro e agravamento da crise

Jorge Messias e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, encontraram-se com Mendonça fora da agenda depois de tomarem conhecimento do pedido. O objetivo foi buscar uma interlocução para resolver o impasse. A divulgação posterior de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes afastou integrantes do governo das tratativas, para evitar uma associação pública com a crise no Supremo.

As mensagens se tornaram públicas em 8 de setembro, quando Mendonça retirou o sigilo de parte das investigações do Banco Master. O episódio antecedeu o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo por decisão de Mendonça. A medida foi revertida por Flávio Dino e mantida por Edson Fachin.

A AGU afirmou que as informações sobre um conflito entre Messias e Andrei Rodrigues não eram precisas e disse que divergências são naturais, sem superar o respeito e a consideração entre os dois. A Polícia Federal não respondeu ao pedido de manifestação até a publicação.

A disputa envolvendo o acesso às investigações começou em fevereiro, quando Mendonça herdou o caso Master de Dias Toffoli. Em 19 de fevereiro, determinou que apenas os policiais diretamente envolvidos tivessem acesso às informações, inclusive em relação aos superiores hierárquicos.

Em 13 de julho, no âmbito da Operação Compliance Zero, o ministro determinou a manutenção da equipe de investigadores e exigiu comunicação prévia sobre qualquer troca. Também restringiu o acesso às informações e ordenou que o material bruto extraído de celulares e computadores apreendidos fosse enviado ao gabinete dele.

No início de setembro, Mendonça levantou o sigilo de um relatório com mensagens enviadas por Vorcaro a um interlocutor identificado como “Alexandre de Moraes Brasília”. A sessão do STF para analisar as suspeitas contra Moraes começou em 15 de setembro, mas foi adiada após pedido de vista de Flávio Dino.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5