Outubro terá distribuição irregular de chuva e temperaturas acima do padrão em várias áreas do Brasil sob influência do El Niño. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirmou o fenômeno em junho, que tem 75% de chance de ser o mais intenso da história.
A previsão indica chuva acima da média em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e nas áreas ao sul de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. No Norte e no Nordeste, além das porções ao norte desses estados do Centro-Oeste e do Sudeste, os volumes tendem a ficar abaixo do normal.
Para o meteorologista Celso Luis de Oliveira Filho, da Tempo OK, tanto o excesso quanto a falta de chuva podem afetar o campo. O primeiro pode encharcar o solo e dificultar as operações, enquanto o déficit hídrico pode atrasar o plantio.
Chuva e temperatura por região
No Sul, a chuva deve superar a média, principalmente no Paraná. Ainda haverá períodos frios provocados pela passagem de massas de ar polar, apesar da tendência de elevação das temperaturas. Temporais com granizo e vento podem ocorrer do Rio Grande do Sul ao Paraná, devido ao encontro entre ar quente e úmido e massas de ar frio.
Em parte do Sudeste, a precipitação também ficará acima do normal. São Paulo deve receber volumes mais expressivos, enquanto o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo terá menos chuva. A temperatura média tende a ficar acima do esperado, e os termômetros podem marcar até 2°C além da média em Minas Gerais.
No Centro-Oeste, o sudoeste e o leste de Mato Grosso do Sul, além do sul de Mato Grosso e Goiás, devem receber mais chuva. A maior parte de Mato Grosso e o norte de Goiás terão déficit hídrico. Em Goiás, a temperatura pode chegar a 2°C acima da média.
Norte e Nordeste terão chuva abaixo da média e temperaturas elevadas. Roraima, Amazonas e Pará estão entre as áreas com menores acumulados. No Pará e no Acre, a temperatura pode ficar até 2°C acima do padrão; nas demais áreas, a diferença prevista chega a 1,5°C. No Nordeste, os menores volumes são esperados no leste de Sergipe e no nordeste e sul da Bahia. Na área central baiana, a temperatura pode superar a média em até 2°C.
Impactos no agronegócio
No Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, o excesso de chuva pode dificultar o plantio e a condução das lavouras de soja e milho, além da colheita do trigo. No Sul, os períodos de baixa temperatura também podem atrasar o desenvolvimento das culturas de verão.
A chuva irregular pode exigir irrigação complementar nas áreas cafeeiras do norte do Espírito Santo. Em São Paulo e Minas Gerais, o excesso de precipitação reduz as janelas disponíveis para a colheita da cana-de-açúcar.
Entre Mato Grosso e Pará, a baixa umidade do solo tende a atrapalhar o plantio da soja. No sul de Mato Grosso do Sul, por outro lado, os maiores volumes podem atrasar as atividades no campo. A previsão mais seca favorece a colheita da cana-de-açúcar em Alagoas e Pernambuco.
Em Rondônia e Tocantins, o plantio da soja deve avançar mais lentamente por causa dos volumes de chuva abaixo da média. O cenário também pode afetar os embarques pelo porto de Miritituba, devido aos baixos níveis dos rios amazônicos.








