A semeadura da soja da safra 2026/27 alcançou 0,73% da área nacional, segundo o primeiro levantamento da Pátria Agronegócios. O índice ficou levemente acima dos 0,64% registrados no mesmo período de um ano atrás. A consultoria estima uma área de 49,38 milhões de hectares para a oleaginosa nesta temporada.
Mato Grosso concentra parte do avanço inicial. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio chegou a 0,8% da área, ante 0,6% no mesmo período do ano passado. A operação ocorre principalmente em lavouras irrigadas por pivô central. Em áreas de sequeiro, o armazenamento de água no solo continua baixo, e as máquinas avançam pouco porque as chuvas ainda não foram suficientes.
O comportamento das precipitações deve variar entre as regiões produtoras. O fenômeno El Niño tende a reduzir as chuvas no Centro-Norte e a aumentar a umidade em áreas do Sul. Em Mato Grosso, a primeira metade de setembro teve precipitações que permitiram o início dos trabalhos em algumas localidades. Na segunda quinzena, porém, as chuvas pararam, dentro do padrão esperado para este ano, de acordo com Ludmila Camparotto, meteorologista da Rural Clima.
A especialista prevê novas precipitações nos próximos dias. “Uma frente fria que vem do Sul pode levar instabilidades para sul e oeste de Mato Grosso em forma de pancadas, favorecendo o avanço do plantio. Essas chuvas, porém, serão irregulares”, afirmou.
No Paraná, primeiro Estado a começar a semeadura nesta temporada e segundo maior produtor nacional, 2% da área prevista para 2026/27 havia sido plantada, contra 3% na mesma época do ano passado, também conforme a Conab. A umidade elevada pode interromper o avanço das máquinas nos próximos dias.
Além de Mato Grosso e Paraná, produtores de Goiás e Mato Grosso do Sul já iniciaram o cultivo, segundo Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios. Para ele, eventuais atrasos ainda não preocupam, porque a maior parte da janela de plantio fica concentrada em meados de outubro.
Camparotto prevê chuvas irregulares em outubro, com possíveis diferenças entre as localidades de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Em algumas áreas, a frequência maior permitirá o avanço; em outras, o produtor terá de esperar para semear.








