Uma cueca vermelha esquecida em uma lavanderia acabou transformada em amuleto de futebol, objeto de culpa e peça central de uma sequência de coincidências. O dono original era um flamenguista, mas quem encontrou a roupa íntima foi um são-paulino que não conseguiu devolvê-la de imediato.
A peça apareceu entre as roupas depois de uma secagem. O homem percebeu que não tinha nenhuma cueca vermelha, já que suas gavetas eram ocupadas por peças cinza, pretas e azul-marinho. Mesmo assim, levou a roupa para casa e prometeu deixá-la no balcão da lavanderia no dia seguinte.
A promessa não foi cumprida. A cueca permaneceu no cesto, foi soterrada por outras roupas e acabou voltando para a máquina na lavagem seguinte. O morador chegou a pedir à Alexa que registrasse um lembrete para devolver a peça, mas ela continuou sob sua responsabilidade.
A descoberta do dono
Na visita seguinte à lavanderia, a cueca estava na sacola, pronta para ser entregue. Enquanto aguardava a máquina, o são-paulino conversou com um rapaz sobre assuntos cotidianos e futebol. O homem contou que havia perdido ali sua cueca da sorte, vermelha, usada apenas em dias de clássico. Também disse ser flamenguista e relacionou a ausência da peça à derrota do Flamengo no último jogo.
Diante da revelação, o dono da cueca preferiu não contar que carregava a roupa no bolso. Consolou o rapaz, dizendo que a máquina sempre come alguma coisa, e esperou ficar sozinho para deixar a peça no balcão.
Antes de ir embora, escreveu um bilhete: “Pertence a um flamenguista. Favor respeitar. Ele voltará.”
Ao retornar ao apartamento, porém, encontrou uma meia a mais na sacola. Era apenas o pé direito de um par estampado com capivaras usando óculos escuros. Sem saber qual seria a função daquela nova peça, passou a usar a meia nos jogos do São Paulo, na esperança de obter alguma vantagem. A tentativa não funcionou.








