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Plano de Salvador prevê 56 ações climáticas, mas só 16 tratam de alagamentos e deslizamentos

Pesquisador Paulo Zangalli afirma que medidas de adaptação ficaram em segundo plano e que diretrizes de uso do solo repetem as de São Paulo.

Plano de Salvador prevê 56 ações climáticas, mas só 16 tratam de alagamentos e deslizamentos

O plano climático de Salvador prevê 56 ações para enfrentar os principais problemas da cidade, mas apenas 16 tratam especificamente de alagamentos e deslizamentos, segundo o professor e pesquisador Paulo Zangalli. Para ele, nenhuma dessas medidas apresenta intervenções estruturais capazes de preparar a capital baiana para chuvas futuras.

Zangalli participou da elaboração do Plano de Mitigação e Adaptação para Mudança Clima de Salvador. Ele afirma que o documento prioriza metas de redução de emissões e métricas associadas à atração de investimentos, enquanto a adaptação às ocorrências que afetam diretamente a população ficou sem financiamento garantido.

O plano foi produzido no âmbito da C40, rede global de metrópoles voltada para o clima. Salvador assumiu, durante o Acordo de Paris, a intenção de neutralizar as emissões de carbono até 2050. O processo começou em 2015, com o Plano de Resiliência Urbana, e teve financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Fundação Rockefeller, além da articulação da GIZ.

A elaboração envolveu a WayCarbon e o ICLEI, organizações que também participaram de planos climáticos de outras cidades, entre elas São Paulo e Porto Alegre. De acordo com Zangalli, o documento de Salvador segue diretrizes padronizadas, com ações pouco conectadas ao diagnóstico de risco climático e ao inventário de emissões da cidade.

Uso do solo e participação social

Os planos de Salvador e São Paulo têm a mesma diretriz de uso e ocupação do solo para reduzir a vulnerabilidade: o retrofit de prédios antigos. Zangalli afirma que a medida poderia ser usada para recuperar edifícios abandonados e destiná-los à moradia popular, mas diz que, na prática, pode favorecer a retirada de moradores e uma nova rodada de especulação imobiliária nos centros das duas cidades.

“Nos dois planos, há apenas o retrofit de prédios antigos como diretriz de uso do solo para redução de vulnerabilidade”, disse o pesquisador.

Segundo ele, o plano de Salvador também trata de forma limitada o calor excessivo. Entre as ações previstas estão o mapeamento de ilhas de calor e investimentos em arborização, mas o pesquisador avalia que essas medidas não respondem à dimensão do problema.

Zangalli relata ainda que a participação de cientistas e movimentos sociais ocorreu principalmente para validar documentos já produzidos pelo consórcio responsável. Ele afirma que reuniões tiveram pouca participação e microfones fechados.

A Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal de Salvador afirmou que o plano foi elaborado com metodologias internacionalmente reconhecidas. A pasta disse que é natural que temas como mobilidade sustentável, soluções baseadas na natureza e gestão de resíduos apareçam em documentos de diferentes cidades. Também informou que houve oficinas, audiências e workshops, com participação de caráter consultivo e técnico.

A Prefeitura de São Paulo informou que a região do Jardim Pantanal recebe R$ 59,8 milhões em obras de drenagem, pavimentação e contenção no Rio Tietê. Também afirmou que o plano climático, revisado em 2025, estabelece 36 metas específicas de adaptação, incluindo a implantação de 1.000 jardins de chuva até 2028, com prioridade para áreas com histórico de alagamentos.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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