NOVA DÉLI — O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil atua como uma potência da paz e que sua política externa se baseia no diálogo, na cooperação, na construção de consensos e no respeito ao direito internacional. A declaração foi dada durante a Cúpula dos BRICS, na Índia.
Vieira rejeitou a interpretação de que os BRICS sejam um bloco antiocidental ou tenham como objetivo substituir o dólar. Para o chanceler, o grupo funciona como espaço de negociação, cooperação e articulação entre seus integrantes.
Sobre o Sudeste Asiático, o ministro disse que o Brasil busca ampliar as relações com a ASEAN por orientação do presidente Lula. Em 2023, o país abriu uma representação permanente em Jacarta, junto à Secretaria-Geral da organização, e passou a atuar como parceiro de diálogo setorial. O governo trabalha para avançar ao nível de parceiro de diálogo, considerado o estágio mais alto dessa relação.
Vieira também destacou o crescimento do comércio entre Brasil e Índia. Os dois países estabeleceram a meta de alcançar US$ 30 bilhões em comércio bilateral até 2030. O intercâmbio chegou a US$ 15 bilhões no ano passado, com alta de 40%, e deve alcançar US$ 20 bilhões este ano, segundo as projeções apresentadas pelo ministro.
Entre as empresas brasileiras com interesses na Índia, ele citou Petrobras, Embraer, WEG e Vale. A Embraer atua nas áreas comercial e de defesa, incluindo os aviões KC-390 e Super Tucanos para treinamento.
O ministro avaliou ainda que o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos BRICS, tende a se consolidar. Segundo ele, a instituição poderá financiar projetos e oferecer garantias, com mecanismos mais rápidos para países em desenvolvimento.
Vieira afirmou que Brasil e Índia mantêm posições semelhantes sobre multilateralismo e governança mundial. Também disse que a presença do presidente Xi Jinping na cúpula demonstra a importância atribuída pela China aos BRICS. O comércio entre Brasil e China, segundo o chanceler, soma US$ 171 bilhões.
Na avaliação do ministro, o bloco entrou em uma fase de consolidação após a expansão que incorporou novos integrantes. Ele defendeu a organização da agenda, a integração dos membros recentes e o diálogo com os países parceiros. A Indonésia foi apontada como o último país daquele ciclo inicial de expansão.
Ao tratar da política externa brasileira, Vieira citou o artigo 4º da Constituição e afirmou que o país não pretende ser uma potência militar. Segundo ele, o Brasil busca promover a paz, a integração e a convivência pacífica entre os Estados, usando a negociação e a construção de consensos.
O chanceler também mencionou a cooperação com países africanos por meio da Embrapa. Uma reunião de ministros da Agricultura reuniu 51 dos 53 países africanos em Brasília para apresentar técnicas aplicáveis a solos semelhantes aos da África. Para Vieira, essa atuação representa uma política externa de cooperação, aproximação e manutenção do diálogo.
"O Brasil é essa potência da paz", afirmou Mauro Vieira. Ele disse ainda que o país mantém 225 postos no exterior, 36 embaixadas na África e presença diplomática em nove dos 11 países da ASEAN.








