MATO GROSSO — A madeira de eucalipto plantada no Estado teria de crescer para acompanhar a produção de etanol de milho projetada para 2030. No cenário de menor eficiência das unidades de cogeração, seriam necessários 572 mil hectares cultivados até 2028, ante 165 mil hectares registrados até o fim do ano passado. A diferença exigiria investimentos de R$ 14,3 bilhões, segundo estimativa do Itaú BBA.
O cálculo considera uma produção estadual de 12 bilhões de litros de etanol de milho em 2030. Nesse cenário, as usinas consumiriam cerca de 82 mil hectares de floresta por ano para gerar energia e abastecer as caldeiras. O eucalipto precisa de sete anos para chegar ao primeiro ciclo de maturação e ser colhido.
Três projeções de investimento
O banco projetou três níveis de eficiência para as plantas de cogeração. No cenário-base, com desempenho médio, a área necessária seria de 440 mil hectares, com cortes anuais de 63 mil hectares. A formação dessa floresta demandaria R$ 9,6 bilhões nos próximos anos.
Se a expansão ocorrer apenas com unidades de alta eficiência, capazes de produzir mais energia usando menos biomassa, o investimento estimado cai para R$ 7,6 bilhões. No cenário de menor eficiência, além dos 572 mil hectares plantados, os cortes anuais alcançariam aproximadamente 82 mil hectares.
Para calcular os valores, o Itaú BBA adotou custo médio de R$ 35 mil por hectare em um ciclo de 13 anos. A conta inclui o plantio no primeiro ano, a manutenção, o primeiro corte aos sete anos e uma segunda colheita seis anos depois.
Estoque atual e regra para 2035
O levantamento do Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que Mato Grosso tinha 165 mil hectares de eucalipto até o fim do ano passado. A área atual também ficaria abaixo da necessidade das usinas que já operam no Estado: com capacidade instalada de 8 bilhões de litros por ano, elas precisariam de 383 mil hectares plantados e de cortes anuais de 37 mil hectares se usassem exclusivamente essa biomassa.
O Itaú BBA condiciona a realização desses investimentos à aplicação do acordo assinado em junho entre o setor e o Ministério Público estadual. O compromisso prevê o fim, até 2035, do uso de biomassa de floresta nativa por agroindústrias de alta intensidade.
César Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA, afirmou que a expansão do eucalipto está ligada à substituição da madeira obtida com supressão de vegetação nativa. “Muito do eucalipto que a indústria vai precisar é porque não vai mais poder consumir madeira de supressão florestal”, disse.
Retorno e financiamento
A produtividade da floresta pode alterar o capital necessário em cada projeto. Na projeção de menor eficiência, o banco considerou rendimento médio de 30 metros cúbicos por hectare. Na prática, os índices podem variar de 15 a 40 metros cúbicos por hectare.
O Itaú BBA também avaliou o preço da madeira e a taxa Selic. Com o metro cúbico próximo de R$ 150, o cultivo poderia proporcionar remuneração equivalente a 30 sacas de soja por hectare e taxa interna de retorno de 17%, acima do retorno mínimo associado à Selic, de 14%.
Alves disse que a proximidade entre os plantios e as usinas tende a influenciar a atratividade do investimento. “Se [o eucalipto] estiver muito longe, a usina paga menos pela madeira”, afirmou. O economista também apontou que não existem linhas de financiamento em escala para atender às necessidades da cultura.








