MATO GROSSO — Registros de câmeras, observações em campo e pesquisas científicas confirmaram a presença do cachorro-vinagre nas três áreas de conservação do Polo Socioambiental Sesc Pantanal. A espécie foi identificada no Parque Sesc Serra Azul, na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal e no Parque Sesc Baía das Pedras.
Na RPPN Sesc Pantanal, pesquisadores encontraram imagens do animal, observaram indivíduos ou bandos e localizaram pegadas, fezes e carcaças de presas. Em uma área amostrada de 394,35 km², um estudo estimou a presença de 15,77 indivíduos, o equivalente a 5,74 grupos, considerando uma média de 2,75 animais por bando. No Parque Sesc Serra Azul, ainda não há estimativa numérica da população.
Comportamento e alimentação
O cachorro-vinagre costuma se deslocar e caçar em grupos, mas também pode ser visto sozinho. Sua dieta é formada principalmente por pequenos vertebrados. Quando atuam em conjunto, os animais conseguem capturar presas maiores, como tatus, cutias, pacas e catetos.
O nome popular da espécie está ligado ao odor forte da urina, semelhante ao vinagre. Na marcação de território, o animal pode erguer o corpo apoiado nas patas dianteiras e direcionar a urina para árvores, pedras e outras superfícies.
Proteção e biodiversidade
Considerado vulnerável pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o cachorro-vinagre é naturalmente raro em toda a sua área de distribuição. A falta de informações sobre populações em vida livre é um dos desafios para sua conservação. Por ser discreto, o monitoramento por câmeras ajuda a ampliar o conhecimento sobre a ocorrência e o comportamento da espécie.
Para Vinicius Almeida, gestor do Parque Sesc Serra Azul, que engloba 5 mil hectares em Rosário Oeste (MT), a presença do animal indica a qualidade ambiental da área. O pesquisador Luiz Flamarion, do Museu Nacional, relaciona a ocorrência à elevada biodiversidade e ao nível de proteção do local.
As três áreas do Polo Socioambiental Sesc Pantanal somam 117 mil hectares nos biomas Pantanal e Cerrado. Os espaços também recebem ações ambientais, científicas, culturais e educativas.








