A Caramuru Alimentos planeja investir R$ 100 milhões na expansão da cadeia do girassol em Goiás. O projeto prevê um novo armazém, com capacidade para 60 mil toneladas, e equipamentos para a fábrica de Itumbiara (GO). A empresa aguarda a aprovação de linhas de financiamento do Estado e do Conselho de Administração.
A estrutura se somará a outro armazém de 60 mil toneladas, em fase final de construção em Silvânia (GO). Com os investimentos, a capacidade anual de processamento de girassol da companhia deve passar de 100 mil toneladas para 125 mil toneladas, destinadas à produção de óleo e derivados.
Produção e expansão da área plantada
O estímulo aos produtores já começou, segundo o CEO da Caramuru, Marcus Thieme. Na quinta-feira (10), a empresa reuniu em Itumbiara mais de 200 fornecedores de girassol.
A companhia prevê comprar neste ano cerca de 50 mil toneladas do produto, cultivadas em 55,7 mil hectares. Esse volume corresponde a 88% da área total plantada com girassol em Goiás, de acordo com a empresa.
Para 2026, a expectativa é produzir em torno de 30 mil toneladas de óleo de girassol, aproximadamente 30% das 100 mil toneladas consumidas no país. A Caramuru pretende ampliar a área cultivada em Goiás para 85 mil hectares até 2028 e produzir 47 mil litros de óleo após os investimentos.
A meta é aproximar a participação da marca Sinhá de 50% do varejo brasileiro de óleo de girassol. Atualmente, a maior parte do produto consumido no país vem da Argentina, afirmou Tulio Dias, gerente de Negócios de Girassol.
Dias também citou o aumento na oferta de cultivares. Atualmente, são 16 variedades, o triplo do registrado cinco safras atrás. Segundo ele, cultivares de alta tecnologia custam cerca de metade das opções de milho de média tecnologia e podem gerar o triplo de lucro. O girassol também precisa de menos umidade que o milho. “Nós geramos a demanda e estruturamos a cadeia”, disse.
Outros investimentos
A Caramuru avalia ainda a construção de uma usina de etanol de milho em Nova Ubiratã (MT). O projeto, estimado em R$ 1,4 bilhão, depende de uma possível aprovação de financiamento do BNDES, por meio do Fundo Clima, e pode receber sinal verde até o fim do ano.
Na primeira fase, a usina deve processar pouco menos de 600 mil toneladas de milho. A capacidade poderá ser duplicada ou triplicada, conforme a demanda. Thieme afirmou que a empresa também vê possibilidades de crescimento no consumo de etanol hidratado e em outras rotas, como combustível para aviação e navegação.
A companhia, tradicional produtora e exportadora de SPC de soja não transgênica, também passou a explorar o mercado de SPC de soja transgênica. O produto é usado na alimentação de salmão e já é exportado para Chile, Turquia e sudeste asiático.
A previsão é vender cerca de 60 mil toneladas do produto neste ano e 90 mil toneladas no ano que vem, volume equivalente à capacidade total da planta de Itumbiara. A empresa pesquisa novas aplicações para suínos e camarão.
IPO e biodiesel
O IPO da Caramuru continua nos planos, mas depende de condições mais favoráveis, como queda das taxas de juros, retomada do interesse dos investidores, melhores resultados de empresas do agronegócio e maior compreensão sobre o setor. Thieme não descarta a operação no próximo ano, conforme o cenário macroeconômico.
A empresa captou recursos nos últimos anos por meio de quatro Certificados de Recebíveis do Agronegócio, que financiaram investimentos. Para a Caramuru, uma sinalização sobre a adoção de percentuais maiores de biodiesel também será importante para as decisões futuras.
A companhia é a 10 maior produtora de biodiesel do Brasil. O governo ainda realiza estudos técnicos para implementar o B16, equivalente a 16% de biodiesel no diesel.








