RECIFE — As eleições de 2026 em Pernambuco registraram aumento no número de processos eleitorais em comparação com 2022, apesar da redução na quantidade de candidaturas. O levantamento do TRE-PE considera o período de 1º de janeiro a 16 de setembro de 2022 e de 1º de janeiro à última quarta-feira (1).
O principal avanço ocorreu nas representações entre candidaturas, que passaram de 205 para 499. Esses processos são apresentados por partidos ou candidatos para denunciar possíveis atos ilícitos, geralmente atribuídos a adversários. Na comparação com 2022, o volume cresceu 143%.
As representações especiais, que podem resultar em multa, subiram de seis para 23, alta de 283%. Já as petições cíveis passaram de três para 77, crescimento de 2.466%. Segundo o TRE-PE, essa categoria inclui ações relacionadas a pesquisas eleitorais, como tentativas de impedir a divulgação de levantamentos ou questionamentos sobre o formato dos estudos.
Os direitos de resposta tiveram o menor avanço entre os grupos citados, passando de 11 para 15, aumento de 36%.
Mais processos, menos candidaturas
O levantamento reúne ações envolvendo as candidaturas a deputado estadual, deputado federal, Senado e governo do estado. Ao todo, são 910 candidaturas em 2026, contra 997 em 2022, uma redução de 8%.
Para o advogado Humberto Vieira de Melo, o crescimento dos processos está ligado à polarização da disputa. “Sempre que você tem uma eleição acirrada, há muito uma utilização do Poder Judiciário eleitoral entre as candidaturas”, afirmou.
Em 2026, serão eleitos dois senadores, enquanto em 2022 houve apenas uma vaga em disputa. No governo de Pernambuco, porém, o número de candidatos caiu de 11 para oito. Raquel Lyra (PSD), que venceu a eleição anterior no 2º turno, disputa a reeleição. João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife, também concorre ao cargo.
Ações entre as campanhas
As campanhas de Raquel Lyra e João Campos voltaram a trocar acusações na quinta-feira (17). Um homem acusado de roubar material de campanha da governadora ficou ferido após um policial civil disparar um tiro de contenção. As duas coligações apresentaram versões sobre vínculos entre os envolvidos e as campanhas.
A disputa judicial também inclui acusações sobre um suposto “gabinete do ódio”. Em 27 de agosto, a candidatura de João Campos anunciou um pedido de investigação no TRE-PE contra a campanha de Raquel Lyra. As duas campanhas apresentaram ações com motivação semelhante.
Também foram determinadas duas investigações da Polícia Federal sobre cartazes apócrifos contra a governadora. A campanha de Raquel Lyra pediu a abertura do inquérito, e o grupo de João Campos solicitou sua ampliação.
O 1º turno está marcado para 4 de outubro. Se houver 2º turno, a votação será em 25 de outubro.








