SANTA CATARINA — A proposta do deputado Sargento Lima (PL) para homenagear dois policiais militares envolvidos na abordagem da candidata a segunda suplente ao Senado Fernanda Klitzke provocou críticas na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). A ocorrência aconteceu em Jaraguá do Sul, onde Fernanda foi derrubada, chutada e atingida por disparos de munição de impacto controlado. A atuação dos agentes é investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina.
Protocolada na segunda-feira, 14, a moção concede aos cabos Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber um aplauso por ato de bravura. O documento afirma que os policiais prestaram relevantes serviços à comunidade durante a ocorrência. A proposta ainda aguarda discussão e votação no plenário.
A moção foi incluída na Ordem do Dia de terça-feira, 15, mas não foi votada por falta de quórum. Durante a sessão, as deputadas Luciane Carminatti (PT) e Carolline Sardá (PSOL) criticaram a iniciativa. Carminatti também apresentou uma moção de contrariedade à atuação dos dois policiais no caso.
Fabiano da Luz, líder da bancada do PT na Alesc e presidente estadual do partido, classificou a homenagem como “absurda”. A bancada petista apresentou um pedido de informações ao governador Jorginho Mello (PL), ao Comando-Geral da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública. O requerimento reúne nove pontos sobre o uso da força e de munições, a cadeia de comando da operação e a possível utilização de câmeras corporais.
Investigação da abordagem
Vídeos mostram Fernanda sendo imobilizada e, no chão, atingida por chutes e disparos. A Polícia Militar afirmou que houve resistência durante a abordagem e informou que as circunstâncias e a atuação dos agentes serão apuradas pela Corregedoria-Geral da corporação.
Na justificativa da moção, Sargento Lima disse que Clovis Kaue Weber participou diretamente da abordagem e da contenção dos envolvidos. Sobre Rafaela Natália Branco, o texto afirma que ela sofreu uma lesão após a interferência física de terceiros e permaneceu em serviço até o fim da ocorrência.
Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL, defendeu publicamente a Polícia Militar em um vídeo divulgado nas redes sociais. Ele afirmou que “a esquerda tentou montar uma grande armadilha” contra a corporação e apresentou o relato da moradora que acionou a PM por causa de som alto.








