O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o ministro André Mendonça utiliza o cargo de relator no Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer política. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia.
Segundo Lula, Mendonça teria divulgado apenas informações que lhe interessavam ao tratar de denúncias. "O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política, está provado", declarou o presidente.
Lula também disse que o ministro Alexandre de Moraes deverá responder caso tenha cometido irregularidades relacionadas ao contrato do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Ao mesmo tempo, afirmou que Moraes é alvo de oposição do bolsonarismo por sua atuação durante as eleições de 2022 e no julgamento da tentativa de golpe de Estado.
Disputa no Supremo
O presidente defendeu, pela primeira vez publicamente, que sejam reunidas as ações que analisam as condutas de Mendonça e Moraes. O STF está dividido sobre a medida. A questão de ordem apresentada pelo decano Gilmar Mendes registra placar de 4x3 a favor da separação, além de um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que pode provocar empate.
Lula questionou a possibilidade de julgamentos ocorrerem em momentos diferentes e citou a necessidade de esclarecer se telefonemas e possíveis envolvimentos de Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques são verdadeiros. Nunes Marques é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário, com mandato para ministros do Supremo. Também afirmou que os magistrados devem servir à sociedade e que a Corte precisa manter o respeito da opinião pública.
ONU e condenados pelo 8 de janeiro
Na entrevista, Lula disse que o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) abordará a economia global, as guerras, a falta de lideranças e a baixa representatividade do Conselho de Segurança. Ele afirmou ainda que pretende conversar com Donald Trump depois do discurso e defender que não haja interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira.
Sobre os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, Lula declarou que as penas devem ser cumpridas, mas ressaltou que cabe ao STF decidir o tema após o Congresso Nacional derrubar o veto integral ao PL da Dosimetria. "Eu acho que ninguém pode ser preso eternamente", afirmou.








