GARANHUNS — A laqueadura é uma opção cirúrgica de contracepção definitiva, mas depende de consentimento da paciente e do cumprimento de critérios previstos na Lei do Planejamento Familiar. O procedimento pode ser realizado por mulheres maiores de 21 anos, por quem tem pelo menos dois filhos vivos ou por pessoas sem filhos que atendam à idade mínima.
A discussão sobre o método ganhou repercussão depois de uma fala da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). Durante a inauguração da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste, ela ouviu a história de uma mulher com sete filhos e sugeriu colocá-la na fila para a cirurgia. Em seguida, afirmou: “faz sem ela saber”.
Raquel Lyra pediu desculpas publicamente. “Foi uma fala equivocada. Eu não tenho compromisso com o erro”, declarou.
Como funciona
A laqueadura tubária interrompe a ligação entre os ovários e o útero por meio das trompas. Com o bloqueio da passagem, o óvulo não se encontra com os espermatozoides, impedindo a fecundação. É uma cirurgia eletiva, realizada em bloco cirúrgico e com anestesia.
A intervenção pode ser feita com anéis de plástico, por corte e cauterização ou por corte e sutura das trompas. O acesso pode ocorrer por diferentes técnicas, como a abertura da região próxima ao umbigo, a laparoscopia, a via vaginal ou a laparotomia, que envolve a abertura da barriga.
A ginecologista e obstetra Carolina Pordeus explica que a laqueadura é um método cirúrgico sujeito a falhas e cuja reversão tem baixa possibilidade de sucesso. Por isso, a mulher precisa ser informada sobre o caráter permanente da decisão antes da cirurgia.
Quem pode fazer
Após a atualização da Lei do Planejamento Familiar, pessoas maiores de 21 anos e aquelas com pelo menos dois filhos vivos podem optar pelo procedimento. Pessoas sem filhos também podem fazer a esterilização, desde que cumpram a idade mínima. Mães podem realizar a laqueadura imediatamente após o parto, desde que tenham seguido os critérios exigidos.
A paciente deve assinar um termo de consentimento, confirmando que recebeu informações sobre o método e a cirurgia. Também é necessário aguardar 60 dias entre a manifestação da vontade e a realização do procedimento.
Em 2023, deixou de ser exigida a autorização do cônjuge. A idade mínima, que era de 25 anos, passou para 21 anos. A cirurgia está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.
Procedimento durante o parto
A laqueadura pode ser feita durante o parto, tanto em uma cesariana já indicada quanto após um parto normal, por meio da técnica periumbilical. A cesariana, porém, não deve ser realizada apenas para viabilizar a esterilização.
Mesmo depois de assinar o consentimento e cumprir as etapas previstas, a paciente pode desistir sem apresentar justificativa. A decisão pode ser revista a qualquer momento do processo e também no dia do parto, inclusive quando a cirurgia já estiver planejada.
Eficácia e riscos
A laqueadura está entre os métodos mais eficientes de contracepção, mas Carolina Pordeus afirma que ela ocupa a quarta posição em eficiência entre as opções mencionadas. O implante sob a pele aparece em primeiro lugar, seguido pela vasectomia e pelos dispositivos intrauterinos (DIU).
Apesar de ser considerada uma cirurgia de pequeno porte, a laqueadura pode causar sangramento dentro da barriga e infecção na área operada, riscos também associados a outros procedimentos cirúrgicos.








