A Justiça determinou que o governo de Pernambuco e a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes providenciem consulta e avaliação neurológica para a artesã Denny Cardoso, que denunciou ter sido intoxicada por mercúrio. A decisão também prevê o custeio de atendimento na rede privada caso não haja vaga no sistema público ou credenciado dentro do prazo estabelecido.
A ordem foi assinada na quinta-feira (3) pelo juiz Rômulo Macedo Bastos, da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Jaboatão, em decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). A consulta especializada deverá ser marcada em até 30 dias.
O processo foi apresentado pela defesa de Denny em 9 de junho. A artesã buscava atendimento para tratar sequelas e limitações de movimento atribuídas à intoxicação pelo metal. A ação também pediu o pagamento de terapia de quelação, usada contra envenenamento por metais, e do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).
Sobre esses dois pedidos, o juiz informou que ainda aguarda uma avaliação técnica do Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário. A definição dependerá do resultado desse parecer.
Investigação sobre a intoxicação
A principal suspeita é Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, aluna de um projeto social realizado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no Recife. Denny afirmou ter filmado a mulher colocando uma substância em sua garrafa.
A polícia concluiu que o caso seria uma tentativa de homicídio motivada por ciúme de um namorado. A defesa de Maria Aparecida afirma que ela “não se lembra de nada”. A investigação retornou à polícia depois que o Ministério Público apontou “lacunas relevantes” nas provas e solicitou novas diligências.
Denny participou por mais de dez anos do projeto Arte na Medicina, que oferecia aulas de artesanato a pacientes e familiares em um anexo do Huoc. Maria Aparecida frequentava o projeto havia cerca de três anos.
No segundo semestre de 2024, a artesã começou a apresentar dores abdominais, enrijecimento muscular e dificuldade para andar e urinar. Depois de se afastar do trabalho, ela voltou às atividades e percebeu a suspeita mexendo em seus pertences. Também encontrou pequenas bolas metálicas na água que bebia.
Um exame toxicológico identificou 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue. A perícia realizada na garrafa também detectou o metal na água. A médica responsável pelo laudo estimou que a ingestão ocorreu durante um período de oito meses a um ano.
Denny continua sentindo dores no abdômen e mantém o tratamento. Até a última atualização, não havia confirmação sobre a intimação da prefeitura e do governo nem sobre o cumprimento da consulta dentro do prazo.








