BRASÍLIA — O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) afirmou que não apoiará a candidatura à reeleição da governadora Celina Leão (PP). A chapa tem Gustavo Rocha (Republicanos), ex-secretário da Casa Civil no governo Ibaneis, como candidato a vice-governador.
Em vídeo publicado nas redes sociais na noite de domingo (27), Arruda criticou a decisão do PSD-DF de apoiar a atual chefe do Executivo local. “Eles não terão o meu apoio”, declarou. O ex-governador também classificou a administração como “o pior governo da história de Brasília” e afirmou que votará no candidato a deputado federal Izalci Lucas (PL).
A manifestação ocorreu antes de o partido oficializar, nesta segunda-feira (28), o apoio a Celina Leão. O anúncio foi feito pelo presidente regional da sigla, Paulo Octávio, depois que Arruda deixou a disputa pelo Palácio do Buriti.
Críticas ao BRB
A candidatura de Arruda foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que manteve o indeferimento do registro. Após a decisão, o PSD-DF passou a apoiar Celina Leão, enquanto o ex-governador se posicionou contra a aliança.
Entre as críticas à gestão, Arruda afirmou que Celina Leão e Gustavo Rocha “quebraram o BRB”. A declaração ocorreu durante a crise financeira enfrentada pelo Banco de Brasília e as investigações sobre operações com o Banco Master, do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal investiga a compra de carteiras de crédito pelo BRB. Conforme informações divulgadas nas apurações, o banco teria transferido R$ 12,2 bilhões ao Master entre janeiro e maio de 2025, em operações com créditos vinculados à empresa Tirreno. Há suspeitas de que os ativos negociados não tinham lastro e de que os créditos não puderam ser confirmados.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, pressionou o diretor financeiro Dario Osvaldo Garcia Júnior para concluir operações com o Master.
Para reforçar sua estrutura financeira, o BRB tenta obter R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), oferecendo receitas públicas como garantia. A operação enfrenta entraves e foi levada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Em setembro, Celina Leão disse que o atraso na divulgação do balanço do banco tinha caráter técnico e estava relacionado à contratação do empréstimo. A governadora afirmou ainda que a instituição tem alternativas caso a operação não avance.
Saúde, educação e acusações
Arruda também acusou Celina Leão e Gustavo Rocha de terem recebido dinheiro de Daniel Vorcaro, de um empresário do transporte coletivo e da empresa de limpeza urbana Sustentare. As declarações foram feitas pelo ex-governador, mas os supostos repasses e as circunstâncias citadas ainda precisam ser confrontados com documentos e manifestações dos envolvidos.
O ex-governador criticou ainda a venda da Companhia Energética de Brasília (CEB) e disse que a atual gestão transformou a saúde pública em um “caos”. Sobre a educação, afirmou que o Distrito Federal passou do primeiro para o 27º lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), em comparação com os resultados de seu governo.









