O debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal foi marcado por críticas à atual gestão e pela cobrança de informações sobre a situação do Banco de Brasília (BRB). A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), não participou do encontro. Uma cadeira vazia, identificada com o nome dela, permaneceu no cenário.
Participaram Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). No primeiro bloco, cada candidato teve 30 segundos para fazer uma pergunta à candidata ausente. Os quatro usaram o tempo para criticar a administração do Distrito Federal.
BRB e relação com vice-governador
O BRB foi o primeiro tema sorteado. Leandro Grass questionou a relação entre o vice-governador Gustavo Rocha e pessoas ligadas ao caso Banco Master. “A gente quer saber, a polícia tem que investigar”, afirmou o candidato, ao defender que os pagamentos fossem apurados.
Engels Augusto Muniz, advogado que administrava o escritório associado a Gustavo Rocha, recebeu R$ 7,3 milhões do Banco Master e de um fundo ligado à Reag entre junho de 2024 e dezembro de 2025. Do total, R$ 3 milhões foram pagos pelo Master e por Daniel Vorcaro.
Os valores foram destinados ao escritório individual de Engels Muniz, não diretamente a Gustavo Rocha. Em decisão, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal afirmou que os pagamentos à sociedade de Muniz não podem ser atribuídos ao candidato a vice apenas por causa da relação profissional entre os dois.
Kiko Caputo também cobrou informações sobre a situação financeira do banco e questionou o governo de Ibaneis e Celina sobre o tamanho do rombo do BRB.
Saúde, transporte e segurança
A saúde esteve entre os principais assuntos do debate. Ao responder a Paula Belmonte, Grass citou a Operação Falso Negativo e criticou a aplicação de recursos pela atual gestão. A investigação apurou suspeitas de superfaturamento e outras irregularidades na compra de testes para Covid-19.
O secretário de Saúde do Distrito Federal em 2020, Francisco Araújo Filho, foi preso durante as investigações da operação.
Ricardo Cappelli relacionou a falta de profissionais ao orçamento do Distrito Federal. Segundo ele, o orçamento deste ano é de R$ 74 bilhões, mas faltam médicos em unidades de pronto atendimento e unidades básicas de saúde.
Paula Belmonte criticou o PT, enquanto Grass defendeu ações de governos petistas na área da saúde. Ele citou os programas Mais Médicos e Farmácia Popular, além da ampliação do atendimento com especialistas.
No transporte, Kiko Caputo apontou problemas no metrô e nos ônibus. Ele criticou a qualidade do serviço, mencionou o metrô sucateado e afirmou que os ônibus circulam lotados e sem ar-condicionado.
A segurança pública também entrou na discussão. Paula Belmonte falou sobre o medo de assaltos e a violência contra as mulheres, citando casos de feminicídio no Distrito Federal.
Nas considerações finais, Grass voltou a mencionar a ausência de Celina Leão e associou a falta da candidata aos problemas debatidos em áreas como saúde, educação e transporte. O candidato afirmou que ela abandonou o Distrito Federal e não teria condições de continuar governando.








