BRASÍLIA — A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresentou aos candidatos à Presidência uma agenda de medidas para o ciclo 2027-2030. A entidade representa produtores responsáveis por 99% da área plantada e 99% da produção nacional de algodão, além de 100% das exportações brasileiras da fibra.
A proposta foi entregue no dia 21 e está reunida na Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos. O documento defende que o algodão seja tratado como ativo estratégico para o desenvolvimento do País e que a competitividade da cadeia se torne uma política de Estado.
Entre as prioridades estão ações coordenadas para produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional. A Abrapa pede uma política nacional de valorização das fibras naturais, com estímulos à inovação, à indústria têxtil nacional e às compras públicas sustentáveis.
A entidade também propõe o desenvolvimento de materiais de base biológica e campanhas de conscientização sobre as características das fibras naturais. O plano inclui políticas para novas aplicações e para o aprimoramento do desempenho e da usabilidade desses materiais, inclusive em combinações com outras matérias-primas.
Crédito, insumos e comércio
A agenda prevê pesquisas sobre os possíveis impactos das fibras sintéticas e dos microplásticos à saúde e ao meio ambiente. A valorização das fibras naturais, segundo a associação, continuará entre as prioridades institucionais da próxima legislatura, no Congresso Nacional, no governo federal e nos ministérios relacionados ao tema.
O documento ainda reúne propostas para fertilizantes, bioinsumos, segurança jurídica, estabilidade regulatória, reforma tributária, abertura comercial, infraestrutura, logística e modernização da política agrícola. A Abrapa aponta a dependência de fertilizantes importados como vulnerabilidade diante de oscilações cambiais, tensões geopolíticas e restrições nas cadeias globais de suprimentos. Também defende a conclusão da regulamentação da lei dos bioinsumos.
A associação pede ampliação do seguro rural, mais acesso ao mercado de capitais e novas fontes de financiamento para o setor agropecuário. Na frente comercial, propõe acelerar negociações, reforçar a atuação diplomática e sanitária, enfrentar barreiras tarifárias e não tarifárias, ampliar os destinos do algodão brasileiro e diminuir a concentração das exportações.
O presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, afirmou que o Brasil ganhou protagonismo no algodão mundial e que os produtores precisam de condições seguras para investir, produzir e competir. As 11 associações estaduais participaram da elaboração da carta.








