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Rabobank aponta concentração de destinos e dependência externa no agro brasileiro

Estudo destaca exposição do Brasil à China e às importações de fertilizantes, defensivos e diesel para sustentar as exportações agrícolas.

Rabobank aponta concentração de destinos e dependência externa no agro brasileiro

A dependência brasileira de fertilizantes, defensivos agrícolas e diesel importados é uma vulnerabilidade para o agronegócio, segundo análise do Rabobank. O banco também identifica concentração nos destinos das exportações e defende a ampliação de mercados e produtos como caminhos para dar mais resiliência ao setor.

Cerca de 80% dos fertilizantes e defensivos usados no Brasil vêm do exterior. No caso do diesel, as importações representam entre 25% a 30% do consumo nacional. O Rabobank avalia que investimentos em refino local de petróleo e na produção doméstica de fertilizantes serão essenciais para reduzir essa exposição.

A avaliação ocorre em um cenário internacional mais fragmentado, com impactos sobre as relações comerciais. O estudo cita que o conflito no Oriente Médio envolvendo os EUA, Israel e Irã provocou choques de preços e preocupações com a oferta de combustíveis e fertilizantes em 2026. O banco compara esses efeitos às repercussões da invasão da Ucrânia pela Rússia nesses mercados quatro anos antes.

Concentração nas exportações

A China responde por cerca de 33% do valor total das exportações brasileiras de alimentos e produtos agrícolas. União Europeia e Estados Unidos, juntos, representam 54% desse comércio.

A concentração também aparece na análise por produto. A China está entre os três principais destinos de 9 das 10 commodities avaliadas. Em 6 dessas 10 commodities, os três maiores compradores respondem por mais de 50% das vendas brasileiras ao exterior.

A relação com o mercado chinês ganhou peso especialmente em soja e carne bovina. Na última década, o crescimento das importações chinesas dessas duas commodities superou o aumento combinado dos demais 10 maiores importadores do mundo. Por isso, o Rabobank avalia que a interdependência comercial entre Brasil e China não deve desaparecer no curto prazo.

Em 2025, a China importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, o equivalente a 48% das exportações totais do país. Para 2026, a cota chinesa foi fixada em 1,1 milhão de toneladas. Na prática, o volume pressiona os exportadores a buscar outros destinos para uma quantidade equivalente a 17% das exportações de 2025.

Novos produtos e destinos

O relatório aponta que a diversificação pode ocorrer também pela abertura de mercados para produtos diferentes. As exportações brasileiras de grãos secos de destilaria, conhecidos como DDG e originados como coproduto do etanol de milho, eram quase inexistentes há uma década. O avanço da produção doméstica de etanol de milho acompanhou o crescimento dessas vendas.

Desde 2023, os DDGs brasileiros obtiveram acesso a 21 destinos internacionais, em um mercado historicamente dominado pelos Estados Unidos.

Para o Rabobank, o relacionamento com parceiros estratégicos precisa incluir diálogo e maior compreensão das prioridades de cada país. A medida pode ajudar o agronegócio a se preparar para mudanças em políticas agrícolas e comerciais.

No longo prazo, o crescimento populacional em regiões como África, Oriente Médio e Sudeste Asiático pode contribuir para redistribuir a demanda mundial por commodities agrícolas. As populações da China e da União Europeia, por outro lado, devem diminuir, conforme projeções demográficas das Nações Unidas.

O banco também cita os acordos UE-Mercosul, Mercosul-EFTA e Mercosul-Singapura como apoio à melhoria do acesso a mercados existentes e à abertura de novos destinos. Mesmo com essas possibilidades, o estudo ressalta que reduzir a concentração das exportações será um processo difícil, especialmente diante do peso da China para produtos como soja e carne bovina.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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