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Lodo tratado vira insumo agrícola, mas cadeia ainda busca escala no Brasil

Produção exige tratamento do resíduo e enfrenta custos, transporte regionalizado, demanda limitada e falta de classificação específica.

Lodo tratado vira insumo agrícola, mas cadeia ainda busca escala no Brasil

A transformação de lodo em insumo para a agricultura já ocorre em operações no Rio de Janeiro e em Cuiabá, mas a cadeia ainda tem produção regionalizada e dificuldade para ampliar o mercado. O setor também enfrenta custo elevado, demanda limitada e falta de uma classificação regulatória própria.

No Rio de Janeiro, todo o lodo gerado nas estações de tratamento de efluentes (ETEs) é encaminhado à Organosolo. A empresa faz a compostagem termofílica e transforma o material em composto orgânico usado na agricultura, na jardinagem e no reflorestamento. Cuiabá tem uma operação semelhante desde 2022.

Rendimento e custo

A Tera Ambiental produz o Tera Base, fertilizante orgânico composto Classe B, peneirado e com 70% de sólidos. Para fabricar o produto, a empresa processa uma tonelada de resíduos orgânicos e obtém, em média, cerca de 400 quilos de fertilizante final. A produção anual informada é de 36 mil toneladas.

Lívia Baldo, diretora da Tera Ambiental e especialista em gestão de resíduos, aponta o rendimento como uma das dificuldades do processo, porque o biofertilizante depende de uma grande massa de resíduos orgânicos.

O preço também limita a competição com fertilizantes convencionais. Eduardo Rotta Lovato, diretor de operações da Quattro T, afirma que o produto atrai principalmente consumidores preocupados em melhorar o perfil dos solos e reduzir o impacto ambiental. Para ele, a escala é um obstáculo: “Todo processo produtivo necessita de escala, e no caso do biofertilizante é pouco provável termos uma escala industrial em uma única planta produtiva”.

A distribuição é outro ponto de pressão. Como as operações permanecem regionalizadas, o transporte por longas distâncias encarece o produto.

Tratamento e regras

A produção passa por etapas de estabilização e higienização, que podem incluir tratamento térmico, compostagem termofílica ou estabilização com óxido de cálcio. Esses procedimentos eliminam agentes patogênicos e tornam o material adequado ao uso agrícola.

Após o tratamento, o lodo passa a ser chamado de biossólido e pode ser formulado como fertilizante orgânico, organomineral ou biofertilizante. Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 2020 define critérios e procedimentos para a produção de biossólidos, incluindo a classificação conforme a presença da bactéria Escherichia coli e de elementos químicos potencialmente tóxicos.

O Ministério da Agricultura ainda não tem uma classificação específica para biofertilizantes à base de lodo. Atualmente, esses produtos são enquadrados genericamente como fertilizantes orgânicos.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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