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Empresas transformam lodo de esgoto em insumo para o campo

Projetos usam resíduos de estações e agroindústrias para produzir biofertilizantes e reduzir a compra de adubos minerais.

Empresas transformam lodo de esgoto em insumo para o campo

Empresas de saneamento, gestão de resíduos e do agronegócio estão testando formas de manter o lodo de esgoto dentro da própria cadeia produtiva. Em vez de enviar o material para aterros, projetos usam o resíduo na fabricação de biofertilizantes ou na adubação de áreas agrícolas próximas às estações e agroindústrias.

A Tera Ambiental produz fertilizante a partir de lodo e informa que a aplicação de cerca de 5 toneladas por hectare permite reduzir em 30% o uso de adubação mineral. Com a continuidade do uso, essa redução se aproxima de 50%, principalmente nas necessidades de nitrogênio e fósforo, segundo Lívia Baldo, diretora da empresa.

A companhia mantém uma parceria com a Orizon, responsável pelo aterro sanitário de Paulínia (SP), onde funciona um ecoparque. Nesse local, são produzidas 1.600 toneladas de fertilizantes orgânicos por mês. A Tera também administra efluentes encaminhados à Companhia de Saneamento de Jundiaí e recebe lodo de outras estações da região.

Aplicações e resultados no campo

O adubo da Tera Nutrição Vegetal é vendido para agricultura e paisagismo e já é usado em cultivos de cana, café, citros, frutas e hortaliças. A empresa também realizou testes com tomate, banana, macadâmia, soja e milho, com resultados de ganho de produtividade e melhora da qualidade, conforme Baldo.

Na agroindústria, a Quattro T fez o desassoreamento de uma lagoa de decantação de 11.500 metros para uma empresa do Paraná. O trabalho reduziu em 61% a produção de lodo em poucos dias. O biossólido resultante passou a ser aplicado em uma área agrícola próxima, substituindo fertilizantes comprados pela própria agroindústria.

O processo, baseado em dragagem hidráulica e geoformas, recuperou 8.886 metros cúbicos de água e evitou a emissão de 1.352 toneladas de gás carbônico equivalente. “O que era custo para transportar e depositar esse lodo em um aterro se transformou em economia”, afirma Eduardo Rotta Lovato, diretor de operações da Quattro T.

Pesquisa, expansão e regulação

Cristiano Andrade, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, afirma que produtos orgânicos podem substituir até 100% da adubação mineral nitrogenada. Ele ressalva, porém, que nem todo lodo é uma boa fonte de potássio. No caso do fósforo, aplicações sucessivas podem elevar gradualmente a disponibilidade do nutriente no solo e gerar economia de médio a longo prazo na adubação fosfatada.

O Ministério da Agricultura registrou 33 biofertilizantes desenvolvidos por 17 empresas entre 2019 e junho de 2026. Não há informação sobre quantos foram produzidos com lodo. Embrapa e FAO apontam benefícios como maior disponibilidade de nutrientes, melhora da atividade microbiológica e redução parcial do uso de fertilizantes sintéticos.

A Veolia iniciou um projeto de pequena escala em Blumenau (SC). A empresa opera no Chile uma biofábrica que transforma lodo de esgoto em biofertilizantes e criou uma empresa separada para ensacar, comercializar e distribuir o produto no mercado agrícola local.

Na Iguá Saneamento, três das 13 iniciativas selecionadas pelo programa Move Iguá Inova tratam do lodo, com propostas de secagem acelerada, tratamento térmico e redução de volume. Paula Violante, diretora de Operações da companhia, diz que o reaproveitamento deve considerar a realidade operacional e regulatória de cada local.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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