Mineradoras brasileiras de minério de ferro com custos mais altos podem retirar entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas anuais do mercado se as condições atuais persistirem, estima o BTG Pactual. O banco relaciona o risco ao minério abaixo de US$ 100 por tonelada, aos descontos de qualidade e à alta do frete marítimo.
O transporte entre Brasil e China chegou a cerca de US$ 42 por tonelada, enquanto o minério é negociado entre US$ 96 e US$ 98. A escalada do conflito no Irã acrescentou aproximadamente US$ 25 por tonelada ao custo do transporte, em comparação com os US$ 22 a US$ 23 registrados no início do ano.
O aumento do frete é atribuído principalmente ao combustível marítimo mais caro e à menor disponibilidade de navios. Com isso, o transporte passou a representar perto de 40% do preço de referência do minério, reduzindo o netback, valor líquido recebido pelas mineradoras após as despesas logísticas.
Os produtores mais expostos são os que dependem do mercado spot de frete e vendem minério de menor qualidade. O BTG considera que a diferença entre os custos logísticos do Brasil e da Austrália chegou a um nível extremo.
Usiminas e Itaminas ajustam produção
A Usiminas suspendeu as operações da planta de Samambaia, em Minas Gerais. A unidade responde por aproximadamente 30% a 35% da capacidade de mineração da companhia, cuja produção total é estimada em cerca de 9 milhões de toneladas por ano. A empresa atribuiu a paralisação aos preços mais baixos do minério e ao frete marítimo mais caro.
A Itaminas concedeu férias coletivas a cerca de 300 trabalhadores e pretende suspender temporariamente a produção em outubro, depois de acumular estoques equivalentes a aproximadamente um mês de operação.
Para o BTG, novas interrupções podem ocorrer se o minério e o frete permanecerem nos níveis atuais. O volume ameaçado equivaleria a cerca de 2% a 3% do mercado mundial transportado por via marítima.
A redução da oferta poderia sustentar as cotações. O banco afirma que “algo terá de ceder”: o frete precisará recuar de forma relevante ou o minério terá de subir para manter as operações de maior custo. Se as tarifas continuarem elevadas, cortes adicionais poderiam levar o preço para entre US$ 105 e US$ 110 por tonelada.
Entre as companhias acompanhadas, a Usiminas tem exposição elevada. A CSN também é vulnerável pela dependência do frete spot. A Vale apresenta maior proteção contra oscilações do transporte e vantagens de escala. Na rota até a China, o frete entre Tubarão e Qingdao custa aproximadamente US$ 42 por tonelada, ante cerca de US$ 19 entre Dampier e Qingdao.








