Minas Gerais liderou a distribuição estadual das empresas submetidas à análise de crédito por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) nos nove primeiros meses de 2026. O estado concentrou 1.395 companhias, ou 39,4% das 3.543 empresas distintas avaliadas pela Assertiva no período.
São Paulo ficou na segunda posição, com 893 empresas e participação de 25,2%. Santa Catarina apareceu em seguida, com 396 companhias e 11,2%. A diferença entre Minas Gerais e São Paulo foi de 502 empresas e 14,2 pontos percentuais.
A amostra foi formada a partir de 4.045 consultas feitas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro deste ano. O levantamento considera as empresas que chegaram à etapa de análise dos fundos e reúne informações sobre atividade econômica, porte, maturidade e indicadores de restrição.
Os três estados líderes responderam por 75,8% das companhias avaliadas no Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado. Depois deles, aparecem Rio Grande do Sul, com 172 empresas e 4,9%; Paraná, com 150 e 4,2%; e Rio de Janeiro, com 101 e 2,9%.
O que os dados medem
O CEO da Assertiva, Hederson Albertini, afirma que o resultado representa a atividade dos fundos incluídos na amostra, e não um ranking de concessão de crédito. O radar não informa o volume efetivamente emprestado em cada estado. Ele mostra onde estavam as empresas analisadas pelos FIDCs.
“Estamos olhando para uma etapa anterior à concessão do crédito”, disse Albertini. Para ele, a distribuição observada ajuda a identificar onde a análise de crédito estruturado ocorre com maior intensidade, sem tratar uma consulta como uma operação concluída.
O levantamento também separou as empresas por atividade. Em Minas Gerais, o comércio teve 501 companhias analisadas, seguido pela indústria, com 389, e pelos serviços, com 299. Em São Paulo, a indústria somou 431 empresas e o comércio, 272. Em Santa Catarina, a indústria reuniu 277 companhias.
No conjunto da pesquisa, 51,1% das empresas pertenciam aos segmentos de indústria, construção e logística. Outros 36% estavam em comércio, serviços financeiros e atividades imobiliárias. As duas categorias somaram 87,1% das companhias observadas.
Para Rafael Nakamoto, CEO da Vitório, fintech especializada em supply chain finance e crédito estruturado para a indústria, o resultado de Minas Gerais se relaciona ao perfil das empresas que precisam financiar matéria-prima, estoques, fornecedores e distribuição enquanto aguardam o recebimento das vendas.
“O crédito estruturado ganha relevância” nesse intervalo entre produzir, vender e receber, afirmou Nakamoto. Segundo ele, em cadeias entre empresas, a venda a prazo pode fazer a indústria financiar distribuidores e pressionar o capital de giro. Os FIDCs e outros instrumentos de mercado podem ser usados para financiar essa cadeia sem concentrar todo o peso no balanço da indústria.








