FORTALEZA — O Ministério Público do Ceará emitiu, nesta quarta-feira (30), parecer favorável ao pedido de soltura de João Munhoz Neto, de 34 anos, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos. A jovem foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele, em Fortaleza. A decisão sobre a liberação cabe à Justiça.
O parecer prevê que Munhoz cumpra medidas cautelares caso seja solto. Entre elas estão o comparecimento mensal à Central de Alternativas Penais, a proibição de deixar Fortaleza, a obrigação de informar o endereço atual e de comparecer aos atos processuais para os quais for intimado. Também foram indicados recolhimento domiciliar no período noturno e uso de tornozeleira eletrônica.
Investigação continua
Isabelle morreu na noite de 13 de setembro, no bairro Aldeota. No dia seguinte, o apartamento onde ela vivia com o namorado foi limpo e colocado à venda, conforme os relatos reunidos pela investigação. Márcio Gutiérrez, delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, afirmou que João proibiu a entrada de familiares da jovem no edifício e não colaborou com as apurações.
A investigação é conduzida pelo Grupo Especial de Investigação, formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2º Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Ao todo, 20 peritos e auxiliares de perícia atuam no caso.
Celulares, outros dispositivos eletrônicos e imagens de câmeras continuam sob análise. A Polícia Civil também examina mais de 700 vídeos e realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da morte e a sequência de acontecimentos que a antecederam.
Entre as testemunhas ouvidas estão uma diarista, a síndica do prédio e a ex-mulher de João Munhoz Neto. A ex-mulher depôs no sábado (26). Ela ainda é casada legalmente com Munhoz, mas a defesa dele afirma que os dois estavam em processo de separação quando ele conheceu Isabelle.
A advogada Lídia Aguiar, que representa a diarista, disse que a cliente tinha contato com Isabelle, mas nunca presenciou discussões entre o casal. A profissional também afirmou que a diarista foi ao imóvel para trabalhar no dia 15 de setembro, mas não fez a limpeza do apartamento.
A síndica relatou que João chamou o porteiro para procurar o celular de Isabelle nas lixeiras do prédio. Ela também confirmou que ele pediu que os familiares da jovem não tivessem acesso ao condomínio.
Relatos sobre o relacionamento
Depoimentos colhidos pela Polícia Civil apontaram que João apresentava comportamento controlador, restringia a liberdade de Isabelle e controlava a rotina dela. Os dois haviam se conhecido na empresa onde trabalhavam. Isabelle começou no local em 24 de julho, como estagiária, e pediu desligamento em 17 de agosto, alegando questões pessoais.
Segundo o advogado Leandro Vasques, que representa Rudá Bezerra, dono do escritório, Isabelle procurou o gestor para relatar que João não permitia que ela participasse sozinha de audiências nem realizasse atividades profissionais de forma independente. Após a conversa, foram adotadas medidas como uma advertência e a mudança dos computadores usados pela estagiária.
A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, disse que não aprovava o namoro, iniciado pouco tempo depois do começo do estágio. Ela também não concordou quando a filha informou que iria morar com João. Em depoimento, entretanto, Munhoz afirmou que a mudança foi sugerida por Isabelle.
A Polícia Civil concluiu que a jovem morreu após uma precipitação voluntária do rooftop do prédio. O corpo apresentava múltiplas lesões provocadas pela queda, sem sinais de violência. Não havia câmeras no rooftop, mas imagens de outros pontos do condomínio e de áreas próximas foram usadas na investigação.
João Munhoz foi preso na terça-feira (22), e a Justiça manteve a prisão preventiva após a audiência de custódia. Ele é suspeito de violência psicológica contra a namorada e de indução ao suicídio. O caso permanece em investigação, com análise de imagens, aparelhos apreendidos e novos depoimentos.







