Osasco, Sábado, 26 de setembro de 2026
Osasco 18°C 17° / 30° Mega-Sena 3062: 5 · 9 · 11 · 17 · 18 · 38
A economia que move o interior
Brasil

Zuenir Ventura morre aos 95 anos e deixa legado no jornalismo brasileiro

Jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras também era reconhecido pelo humor e pela habilidade de contar histórias.

Zuenir Ventura morre aos 95 anos e deixa legado no jornalismo brasileiro

Zuenir Ventura morreu esta semana, aos 95 anos, no Rio de Janeiro. Jornalistas que trabalharam com ele destacaram a trajetória de mais de meio século, a disposição para ensinar e a forma cordial com que ajudava colegas. Muitos o chamavam de Mestre Zu.

Autor de 1968: o Ano que Não Terminou, Zuenir tratou de temas centrais do Brasil, como violência urbana, desrespeito à democracia e desigualdade social. Também escreveu Chico Mendes: Crime e Castigo e Cidade Partida, obras associadas à história do jornalismo brasileiro. Recebeu prêmios e reconhecimentos como jornalista, escritor e defensor dos direitos humanos.

Desde 2015, ocupava a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Além da apuração e da escrita, era conhecido pelo senso de humor e pela capacidade de transformar episódios cotidianos em histórias. Quando não estava tratando de jornalismo, acrescentava elementos de ficção às narrativas para divertir os ouvintes, sem maldade.

Histórias com Luís Fernando Veríssimo

Durante décadas, Zuenir dividiu palcos e mesas de eventos culturais com Luís Fernando Veríssimo. Os dois eram amigos e formavam uma dupla reconhecida pela sintonia. Zuenir, mais falante, e Veríssimo, atento ao momento certo de intervir, costumavam contar as mesmas anedotas com alterações nos personagens.

Paraty e a Flip apareciam com frequência nos relatos de Zuenir. Em uma das histórias, uma jovem teria pedido um autógrafo e dito que seu livro preferido era O Menino Maluquinho. Para preservar a admiração da leitora por Ziraldo, o jornalista assinou apenas com a inicial do nome.

Zuenir também contava que foi confundido com Millôr Fernandes, Drauzio Varella e José Saramago, por causa da semelhança física com escritores altos, esguios e carecas. Na versão envolvendo Saramago, ele se imaginava cercado por fãs que, ao final, descobriam o engano.

A falsa notícia de morte

Em 1999, uma informação falsa anunciou a morte de Zuenir após um repórter ligar para um número antigo do jornalista. A pessoa que atendeu inventou que ele havia morrido em um acidente na Lagoa Rodrigo de Freitas, e a notícia se espalhou antes de ser checada.

Naquele momento, Zuenir participava como convidado de uma cerimônia no Instituto Moreira Salles, onde também estava Fernando Henrique Cardoso, então Presidente da República. O evento não era aberto à imprensa. Do lado de fora, jornalistas descobriram que o escritor estava vivo e passaram a tentar entrevistá-lo.

Em uma coluna publicada dias depois, Zuenir relatou que havia sido considerado morto às 16h, mas encontrado no evento por volta das 9 horas da noite. Também brincou que a imprensa precisou ouvi-lo ao vivo e que, naquele momento, ele havia se tornado mais importante que as autoridades presentes. Afirmou ainda que a própria descrição de sua morte parecia tão precisa que quase o convenceu da veracidade do boato.

Desta vez, a morte foi confirmada. O Brasil perde um jornalista, escritor e contador de histórias reconhecido também pelo humor.

Texto produzido pela Redação Trilha Econômica com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.

Mais lidos

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5