O Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou a abertura de uma investigação interna sobre a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso do banco Master. Cinco conselheiros votaram contra o prosseguimento do procedimento, enquanto quatro defenderam a apuração. Ao todo, nove conselheiros participaram da análise.
A decisão também manteve Gonet à frente das apurações relacionadas ao Master. A votação ocorreu por unanimidade nesta sexta-feira, 25 de setembro, 24 dias depois de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com menções ao PGR, se tornarem públicas.
O que motivou a representação
Parlamentares do partido Novo pediram ao Conselho que avaliasse a substituição de Gonet nos casos envolvendo o banco e a abertura de procedimento sobre sua conduta. As mensagens foram trocadas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares, apontado como interlocutor do procurador-geral.
Em 15 de março de 2025, Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e escreveu: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. O ex-banqueiro fez cinco ligações para o advogado. A quinta chamada durou três minutos e 49 segundos.
Em 28 de março de 2025, Soares também encaminhou mensagens atribuídas a Gonet, entre elas: “Que bom! Estou na torcida por vocês!”. Os diálogos indicavam uma viagem a Londres para o 2º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, evento patrocinado por Vorcaro. No dia seguinte, o advogado afirmou que Gonet havia perguntado se o filho poderia participar da viagem. Vorcaro respondeu que sim.
Em abril de 2024, Vorcaro e Gonet apareceram juntos em um evento em Londres. A imagem foi extraída do celular do ex-banqueiro pela Polícia Federal.
Voto do relator
O relator, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino, afirmou que as menções a Gonet não comprovam proximidade suficiente com Vorcaro para justificar uma investigação. Ele foi acompanhado por Alexandre Camanho de Assis, Celso de Albuquerque Silva e pelo vice-procurador Hindenburgo Chateaubriand.
Janice Agostinho Barreto Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, Ana Borges Coelho Santos e José Adônis Callou de Araujo Sá votaram pela instauração da apuração.
Sanseverino afirmou que não havia materialidade ou autoria de crime atribuível ao PGR. Também destacou que a Polícia Federal não encontrou o telefone de Gonet no aparelho de Vorcaro. “O investigado Daniel Vorcaro não tinha o nome de Paulo Gonet na sua lista de contatos”, disse o relator.
Sobre o encontro em Londres, Sanseverino classificou-o como um fato isolado, de caráter social e com a presença de outras pessoas. Ele também sustentou que eventual afastamento ou impedimento do procurador-geral deve ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse ponto, foi acompanhado por todos os conselheiros.
Em novembro de 2025, mensagens de Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes voltaram a citar Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As conversas ocorreram antes de uma prisão do ex-banqueiro e mencionavam uma possível interferência nas investigações.








