A Polícia Federal apreendeu US$ 27.735, € 1.555 e 890 liras turcas em espécie em um escritório ligado ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), candidato à reeleição. A apreensão ocorreu durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio no âmbito das investigações sobre o Banco Master.
A conversão indicada no relatório policial aponta que os dólares correspondiam a aproximadamente R$ 141,8 mil. Os euros equivaliam a R$ 9,2 mil, enquanto as liras turcas somavam cerca de R$ 93. No total, os valores se aproximavam de R$ 151 mil.
Após a apreensão, o dinheiro foi depositado em uma conta judicial e ficou à disposição da Justiça, conforme o relatório da PF. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigação sobre Banco Master
A operação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Um dos eixos é a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a PF, os elementos reunidos no inquérito indicariam que a relação poderia envolver benefícios econômicos e interesses políticos, além de uma relação pessoal ou da atuação política regular. Entre as suspeitas estão repasses mensais de pelo menos R$ 300 mil ao senador, com referências a pagamentos que teriam chegado a R$ 500 mil.
Mensagens reproduzidas na decisão judicial mostram Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, perguntando se os pagamentos relacionados a “Ciro” deveriam permanecer em R$ 500 mil ou ser reduzidos para R$ 300 mil.
A apuração também cita uma participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões, que teria sido adquirida por R$ 1 milhão. O inquérito menciona ainda a disponibilização gratuita de um imóvel de alto padrão, o pagamento de hospedagens e deslocamentos e outras despesas de viagens internacionais, além de indícios de despesas pessoais do senador custeadas por Vorcaro.
Felipe Cançado Vorcaro foi preso na quinta fase da operação. A decisão também aponta possível arranjo entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro envolvendo pagamentos e iniciativas legislativas. Entre os episódios analisados está a atuação do senador em uma proposta sobre a autonomia financeira do Banco Central. Em uma conversa obtida pelos investigadores, Vorcaro afirmou que a proposta apresentada por Ciro “saiu exatamente como mandei”.
Após a operação, Ciro Nogueira declarou ser alvo de “perseguição política” e disse que tentavam atingir sua reputação em um ano eleitoral. A Compliance Zero começou em novembro de 2025 e passou a investigar diferentes núcleos ligados ao Banco Master e a suspeitas de irregularidades financeiras.








