O Brasil deve evitar uma escalada nas relações com os Estados Unidos e responder às pressões do governo de Donald Trump com autonomia diplomática e ampliação de suas parcerias internacionais, segundo o professor e cientista político Leonardo Trevisan.
Na avaliação de Trevisan, manifestações de integrantes do governo norte-americano, especialmente do secretário de Estado Marco Rubio, podem refletir disputas políticas internas da administração Trump mais do que uma decisão concreta contra o Brasil. Ao comentar declarações sobre o combate ao crime organizado, ele afirmou que não há definição precisa sobre eventuais medidas. “É muito mais uma visão específica dentro do Departamento de Estado do que uma realidade efetiva de uma possível invasão”, disse.
O professor defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforce, na Assembleia Geral da ONU, temas como soberania, multilateralismo, interferência estrangeira, conflitos internacionais, mudanças climáticas e direitos humanos. Para ele, o país deve manter canais de negociação com Washington sem transformar cada declaração norte-americana em uma crise bilateral.
A aproximação com a China é apontada como parte dessa estratégia. Trevisan citou a viagem do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, a Pequim e o encontro com o chanceler chinês, Wang Yi. O movimento indicaria aos Estados Unidos que o Brasil possui alternativas econômicas e diplomáticas.
Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente o diálogo comercial no fim de agosto, após conversas entre Lula e Trump, conforme nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Trevisan também avaliou que as pressões podem crescer durante a reta final da eleição brasileira. Lula afirmou nesta semana ter pedido a Trump que não interfira nas eleições brasileiras nem questione o sistema de votação do país. Para o professor, a resposta deve preservar a soberania, manter o diálogo e diversificar as relações internacionais. “Para o Brasil não convém que a gente se apresente numa área de confronto”, afirmou.







