O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (4) que o Brasil buscará outros compradores caso os Estados Unidos reduzam ou interrompam a aquisição de produtos brasileiros. Em entrevista à Rádio Progresso FM, de Juazeiro do Norte, no Ceará, ele disse que o país não deve tratar o mercado norte-americano como única opção para o comércio exterior.
“Eu vou procurar quem quer comprar”, afirmou Lula ao comentar a possibilidade de queda nas compras dos Estados Unidos. O presidente também disse que mantém uma relação pessoal positiva com Donald Trump, mas defendeu que o Brasil preserve autonomia para ampliar seus negócios com outros países.
Lula citou o aumento das trocas comerciais com países visitados durante seu mandato como exemplo da estratégia de diversificação. Segundo ele, o comércio brasileiro cresceu em 17 países, com alta superior a 10% em todos os mercados visitados.
A declaração ocorreu durante uma resposta sobre a relação entre os dois presidentes e os efeitos das medidas comerciais adotadas por Washington contra produtos brasileiros. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos em julho acrescentaram sobretaxas de 25% e 12,5% a parte das exportações brasileiras. Juntas, as duas medidas atingem 23,1% das exportações, enquanto 52,7% permanecem fora dessas tarifas adicionais específicas.
O presidente também relatou uma conversa recente por telefone com Trump, que teria durado uma hora e meia. Após o contato, segundo Lula, o presidente norte-americano orientou o secretário de Comércio dos Estados Unidos a conversar com o ministro da Indústria e Comércio do Brasil.
Apesar das divergências, Lula afirmou que pretende manter a negociação com Washington. Ele disse que o Brasil não busca uma guerra com os Estados Unidos, mas quer contestar medidas que considere injustas e negociar sem assumir uma posição de dependência.









